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Moçambola 2023 vai custar 86 milhões e passivo da LMF ascende a 88 milhões de Meticais

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A realização do Campeonato Nacional de Futebol, vulgo Moçambola, continua um exercício financeiro insustentável. Assim indica as demonstrações financeiras apresentadas pela Liga Moçambicana de Futebol (LMF) aquando da realização da Assembleia Geral Ordinária do organismo que se responsabiliza pela organização da maior prova futebolística do país. Os auditores externos indicam que o passivo está em 88 milhões de Meticais, enquanto que o custo da prova na sua edição de 2023 está estimado em 86 milhões de Meticais.

 

Por Alfredo Júnior

 

As contas do Moçambola continuam a ser a grande preocupação dos clubes filiados na LMF que voltaram a fazer o alarme soar na magna reunião ocorrida na capital do país. Aliás, esta preocupação também foi apresentada pelo Conselho Fiscal, cujo presidente, Arlindo Langa, instou a Direcção executiva da Liga a encontrar mecanismos para ultrapassar este tema, sobretudo o capítulo referente às dívidas para com a transportadora aérea LAM- Linhas Aéreas de Moçambique.  

 

“O Conselho Fiscal notou com preocupação que a situação económica e financeira da Liga Moçambicana de Futebol continua deficitária e com um passivo corrente superando largamente o activo corrente de pouco mais de 88 milhões de Meticais”, disse Arlindo Langa para mais adiante referir que “instamos a Direcção da LMF no sentido de continuar a contactos com a Direcção das Linhas Aéreas de Moçambique para o desfecho do processo de reconciliação dos saldos vigentes e consequente retirada da opinião com reserva do Auditor Externo nos exercícios subsequentes”

 

As demonstrações financeiras apresentadas na Assembleia Geral referem que, em referência a 30 de Novembro de 2022, a Instituição apresenta fundos acumulados negativos no montante de 87.972.224,00 MTs (oitenta e sete milhões, novecentos e setenta e dois mil e duzentos e vinte quatro Meticais) e os passivos correntes excedem os activos correntes em 88.392.422,00 MT  (oitenta e oito milhões, trezentos e noventa e dois mil e quatrocentos e vinte e dois Meticais), “o que indica existir uma incerteza material que pode colocar dúvidas sobre a capacidade da Instituição em se manter em continuidade”, aponta o Auditor Externo.

 

O custo directo total para a realização do Campeonato Nacional de Futebol – Moçambola 2023, é de 86.074.193,00 MT (oitenta e seis milhões., setenta e quatro mil e cento e noventa e três Meticais), sendo que a estimativa de custos com o pessoal para 2023 é de 5.453.366,00 MT (cinco milhões, quatrocentos e cinquenta e três mil e trezentos e sessenta e seis Meticais), subdivididos em remunerações para os trabalhadores, encargos sobre realizem remunerações e subsídios para os membros dos órgãos sociais quando realizem actividades no interesse da instituição.

 

Prevê-se para as despesas com Fornecimentos e Serviços de Terceiros, o valor de 79.8 milhões de Meticais, onde os destaques vão para a rubrica de transporte aéreo com 53.7 milhões de Meticais, transporte terrestre 1.8 milhões de Meticais, despesas com a arbitragem e delegados técnicos com 4.8 milhões de Meticais.

 

Para a realização do Moçambola - 2023, a Liga Moçambicana de Futebol contratará à LAM 2296 passagens aéreas para o transporte de caravanas desportivas nas suas deslocações, para os percursos que abarcam as cidades de Maputo, Beira, Nampula, Tete, Lichinga e Pemba. Contudo, pelo acréscimo efectuado pela LAM, de mais 473 passagens aéreas, devido às deslocações que obrigam escalas em trânsito, a LMF refere que “vimo-nos obrigados a contratar 2769 passagens aéreas”.

 

DÍVIDA COM LAM É UM FARDO PESADO

 

O passivo da Liga Moçambicana de Futebol continua a crescer, sendo que a 30 de Novembro de 2022 o mesmo situava-se em 89.959.144,00 MT (oitenta e nove milhões, novecentos e cinquenta e nove mil e cento e quarenta e quatro Meticais) contra os 81.177.444,00 MT (oitenta e um milhões, cento e setenta e sete mil e quatrocentos e quarenta e quatro Meticais), registado a 30 de Novembro de 2021.

 

Das dívidas com fornecedores destaca-se as que a Liga Moçambicana de Futebol tem para com as Linhas Aéreas de Moçambique que no final do exercício em análise estava situada em 46.179.099,00 MT (quarenta e seis milhões, cento e setenta e nove mil e noventa e nove Meticais), contra os anteriores 44.109.098,00 MT (quarenta e quatro milhões, cento e nove mil e noventa e oito Meticais), passivo este que levou ao Auditor Externo a emitir o parecer com reserva, nos seguintes termos:

 

“Apesar de o termos solicitado não obtivemos respostas ao nosso pedido de confirmação externa do saldo da entidade fornecedora LAM no montante de 46.179.099,00 Meticais. Nestas circunstâncias, não estamos em condições de nos pronunciar sobre a razoabilidade daquele saldo, reflectido na Rubrica de Fornecedores, nem avaliar a existência, ou não, de eventuais direitos ou obrigações não adequadamente divulgados nas demonstrações financeiras da LMF à data do Balanço”.

 

Para além de dívidas com o transporte aéreo, a LMF tem por pagar valores referentes a acomodação das equipas do Moçambola em várias hotéis de todos cantos do país por onde passa a prova, destacando-se a Vila Olímpica do Zimpeto que está sob gestão do Fundo de Promoção Desportiva no valor de 5.705.100,00 MT (cinco milhões, setecentos e cinco mil e cem Meticais), Golden Peacock Resort em cerca de 3.500.000,00 MT (três milhões e quinhentos mil Meticais), Sagecoa Apart Hotel no montante de 2.500.000,00 MT (dois milhões e quinhentos mil Meticais), Paraíso Misterioso na cifra de 2.200.000,00 MT (dois milhões e duzentos mil Meticais), entre outros fornecedores de serviços hoteleiros.

 

O Presidente da LMF, Ananias Couana, referiu que a sua Direcção está a encetar contactos com estas instituições com quais a Liga está em falta, com destaque para a LAM com quem está a negociar para o devido acerto de contas. (LANCEMZ)

 

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