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Atletas à beira da paralisação e apelam intervenção do Presidente da República para pagamento da dívida de premiação

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Os atletas moçambicanos que representam o país em diversas modalidades estão à beira de uma greve devido a atrasos nos pagamentos e falta de comunicação por parte das entidades desportivas. Em causa, está a falta de pagamentos das premiações referente a conquista de medalhas que já vem se alastrando desde 2017. Depois de a Secretaria de Estado do Desporto não ter cumprido com a promessa do pagamento a partir de finais de Março, os atletas ponderam adoptar outras medidas para exigir que lhes seja pago o que ganharam por direito.

 

Por Artur Manhique

 

Os mais de 30 desportistas que reivindicam os seus direitos, alegam que a comunicação directa com a Secretaria de Estado do Desporto sobre o andamento do processo foi interrompida, deixando os atletas frustrados e sem respostas sobre o status de seus pagamentos.

 

Francisco da Conceição, Diretor Nacional de Desporto de Rendimento, abordou a questão e refere que é normal que os atletas reivindiquem os seus direitos, pois conquistaram os seus prémios por mérito próprio.

 

"É perfeitamente normal que eles venham cá reivindicar direito que lhes assiste. Como sabe, eles têm todo o direito, porque por mérito próprio, em função do seu talento, das suas capacidades, conquistaram o pódio e que, em termos de Lei, essas conquistas têm que ser refletidas na premiação", disse Francisco da Conceição.

 

Porém, explicou que o processo é gradual e enfrenta desafios burocráticos, assegurando que os atletas serão pagos conforme prometido, embora reconheça a ansiedade e incerteza enfrentadas por eles.

 

"Há essa promessa de que assim que a burocracia for ultrapassada, e os recursos estiverem disponíveis, eles serão convocados e serão pagos de acordo com os anos atrasados", explicou.

 

INTERVENÇÃO DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA

 

O grupo, composto por mais de 30 atletas, treinadores e pessoal de apoio às selecções nacionais,  destaca a falta de apoio ao atleta e a priorização dos interesses políticos sobre os desportivos. Levando os mesmos a considerar medidas de protesto para garantir que suas exigências sejam atendidas e que recebam o reconhecimento e os prêmios devidos por suas conquistas.

 

Osvaldo Muchanga, treinador que se juntou à causa para reivindicar seus direitos, criticou a falta de resposta sobre uma audiência solicitada e lamentou o corte do diálogo direto com a Secretaria de Estado, agora relegado às Federações.

 

"Ouvimos agora que o secretário do Estado mandou informar que não haverá mais essa comunicação que tem connosco, a comunicação será feita por via das federações, e obviamente que isso não nos satisfaz", disse Osvaldo Muchanga.

 

Ele relatou que, após um acordo no final de Março, a forma de comunicação sobre o andamento do processo foi alterada sem aviso prévio, dificultando o acesso a informações.

 

"Todo esse tempo, nós viemos atrás, até esperamos um pouco mais daquilo que tínhamos acordado para saber em que ponto o processo está. E o senhor Francisco não conseguiu nos dizer em que ponto exatamente o processo está. O que nos faz perceber que não há processo", criticou o treinador de voleibol.

 

Quem também compartilhou suas preocupações sobre a falta de comunicação é o atleta Adelvino Nuvunga, e expressou a possibilidade dos atletas tomarem medidas mais severas para garantir seus direitos visto que os mesmos se sentem negligenciados e desmotivados.

 

"É óbvio que a maioria dos atletas que estão aqui já suspenderam suas actividades por vários factores que nos desmotivam, que já foram mencionados em várias outras conversas em que não existe apoio ao atleta, mas existe apoio aos interesses das organizações que conduzem o desporto", referiu Adelvindo Nuvunga.

 

"Então, essas reivindicações vão acontecer, só não vamos dizer o que é, porque tem que ter o efeito que desejamos que tenha", concluiu o atleta.

 

Na mesma ocasião, Ana Paula Sinaportar, atleta de voleibol, queixou-se da falta de protecção e apelou ao Presidente da República para intervir na situação.

 

"Estamos a perceber que ninguém nos protege, ninguém está do nosso lado, e gostaríamos de pedir o pronunciamento do Presidente da República acerca desse assunto, já são 7 anos, estamos cansados e ninguém nos protege”, queixou-se Sinaportar.

 

De recordar que o Secretário de Estado do Desporto, Gilberto Mendes, havia garantido que a instituição, iria se comprometido para efectuar os pagamentos aos atletas após a participação nos jogos Africanos de Acra. (LANCEMZ)

 

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