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Semedo critica Moçambola “low cost” e diz que há “iliteracia desportiva” dos dirigentes

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O treinador Artur Semedo teceu duras críticas ao actual modelo competitivo do Moçambola 2026, considerando que existe «iliteracia desportiva» por parte dos dirigentes que aprovaram este modelo, que está a criar diversos problemas logísticos para as equipas com menor capacidade financeira. Por outro lado, Semedo manifestou o seu desagrado em relação ao plano de viagens «low cost» contratualizado pela Liga Moçambicana de Futebol (LMF) junto das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), que permite apenas uma bagagem de sete quilos por pessoa, insuficiente para uma delegação desportiva obrigada a permanecer uma semana fora de casa.

Por Alfredo Júnior

O Baía de Pemba FC segue na 12.ª posição da tabela classificativa do Moçambola, com oito pontos, e o treinador Artur Semedo considera que a fraca prestação da sua equipa está relacionada com o actual modelo de disputa da prova, que tem criado vários constrangimentos logísticos.

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“Temos uma situação logística muito difícil. Reparo que este clube não é um clube patrocinado por qualquer empresa pública. E, por isso, como deve calcular, com algumas debilidades logísticas, o que é natural. A jogar de dois em dois dias ou de três em três dias, eu, sinceramente, não sei se a Liga está interessada na evolução da modalidade ou se só quer cumprir a sua tarefa de fazer o campeonato e terminá-lo nas melhores condições possíveis, o que, sinceramente, me deixa algumas dúvidas de que isto chegue até ao fim. Tenho algumas dúvidas. Mas, ainda assim, a verdade desportiva sai toda vez escamoteada porque, repare, clubes como o nosso, com as tremendas dificuldades que temos, fazer viagens de dois em dois dias ou de três em três dias, ou jogar de dois em três dias, é, como devem calcular, extremamente difícil”, disse Artur Semedo.

O experiente treinador não vê uma solução que possa melhorar os moldes de disputa do Moçambola, sobretudo devido ao apertado calendário futebolístico.

“Olhe, vai ser extremamente difícil ajustar o calendário, porque não há datas. Eu acredito que não vai ser extremamente difícil. Eu não vaticino aqui um calendário porque acredito mesmo que será extremamente difícil e pode acontecer exactamente o que aconteceu na época passada. Chegámos a uma altura em que não é possível, até porque temos de complementar o campeonato com a Taça de Moçambique, a duas mãos. E nós ainda temos de fazer a segunda mão da Taça de Moçambique, o que retira espaço para a colocação de jogos do Moçambola. É difícil”, lamentou o treinador.

MOÇAMBOLA LOW COST

Apesar de estar garantido o pagamento das despesas de transporte aéreo, Artur Semedo foi crítico em relação aos planos de viagem contratualizados pela Liga Moçambicana de Futebol junto das Linhas Aéreas de Moçambique, afirmando que não correspondem às necessidades de uma equipa de futebol que participa em jornadas combinadas.

“Depois surge um outro problema. Repare, saímos ontem de Pemba ao abrigo das condições contratadas pela Liga e pela companhia aérea. Há uma nova modalidade de bilhetes que a Liga contratou com a companhia aérea, o que nos obriga a viajar com sete quilos, uma espécie de bilhete “low cost”. Nós vamos ficar uma semana em Maputo, temos de treinar, precisamos de indumentária para permanecer uma semana em Maputo e só temos uma bagagem de sete quilos, que é proporcionada por esse bilhete. Creio que é um bilhete “low cost”, contratado pela Liga e pela companhia aérea. Portanto, imaginem como é possível estarmos uma semana fora nestas circunstâncias. Não trazemos equipamento de treino, não é possível. Se trouxermos as bolas e mais alguns mecos, provavelmente as botas e outras coisas podem ficar difíceis de transportar. Ou limitamo-nos e não trazemos mais nada, só vimos com o fato de treino e pronto”, criticou o treinador.

Semedo diz que esta situação agrava as condições logísticas dos clubes, sobretudo daqueles que não têm capacidade financeira para fazer face às despesas adicionais inerentes à participação na prova.

“Se os clubes não têm condições para pagar o bilhete de avião, ainda têm de suportar a logística. Imaginem, então, mais esta situação de uma semana sem ter condições para atender aos desafios, porque fazem falta as condições necessárias para a equipa jogar. Então, é extremamente difícil”, comentou.

ILITERACIA DESPORTIVA

Sem papas na língua e sem medo, o treinador deixou uma recomendação aos organizadores do Moçambola.

“Eu não sei qual é a saída para isto até ao final. Não vai haver, certamente, mas, no futuro, é bom que as pessoas repensem isto. Ou a própria Liga, se quiser, que tenha um departamento técnico lá na Liga para os assessorar de alguma forma, porque parece que há alguma iliteracia desportiva e as pessoas não percebem que é preciso treinar em função do jogo. Quando se sabe quando se vai jogar, é preciso administrar as cargas dos jogadores, é preciso atender às condições logísticas das equipas. Portanto, tudo isto passa ao lado dos clubes, que, na minha opinião, também são culpados disto, porque alguma vez algum dirigente falou sobre isto? Então, que arquem com a responsabilidade dos jogadores e dos treinadores. Tirem as ilações que quiserem”, rematou.

Depois de ter sido a primeira equipa a derrotar o líder do Moçambola, o Ferroviário da Beira, por 2-1, o Baía de Pemba deslocou-se a Maputo, onde empatou sem golos diante do Ferroviário de Maputo. Na 13.ª jornada, a formação de Pemba mede forças com a Associação Black Bulls, na Lalgy Arena, num jogo marcado para domingo, 9 de Agosto, às 18 horas.

(LANCEMZ)

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