A sala do Instituto de Patrocínio e Assistência Jurídica (IPAJ) revelou-se pequena para acolher a IV Conferência Internacional das Ciências da Comunicação e Informação, promovida pela Escola Superior de Jornalismo (ESJ), que decorreu esta quinta-feira, 15 de Outubro, na cidade de Maputo, sob o lema “Comunicação e Informação no Desporto: Oportunidades e Desafios Contemporâneos”.
Por Vanildo Polege
O encontro reuniu académicos, desportistas, jornalistas e estudantes, que debateram vários desafios do sector, com destaque para os media digitais, os direitos de transmissão televisiva, a ética jornalística e as novas dinâmicas da cobertura desportiva.
Na abertura, o director-geral da ESJ, Ilídio Lobato, destacou a importância da comunicação e da informação na valorização do desporto moçambicano.
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“É com muita satisfação que damos as boas-vindas à quarta Conferência Internacional das Ciências da Comunicação e Informação da Escola Superior de Jornalismo. O lema desta conferência coloca em perspectiva um desafio essencial: como transformar a comunicação e a informação em instrumentos de valorização do desporto moçambicano. O desporto é muito mais do que competição e resultados; é identidade, inclusão, educação e orgulho nacional. Nas vitórias dos nossos atletas, no talento que emerge nas comunidades e nas conquistas das nossas equipas, encontramos histórias que merecem ser conhecidas, valorizadas e preservadas”, afirmou.
INDÚSTRIA DESPORTIVA
Por sua vez, Sílvia Langa, antiga basquetebolista e actual directora do Fundo de Promoção Desportiva (FPD), que representou o ministro da Juventude e Desportos, Caifadine Manasse, destacou o papel do desporto no desenvolvimento da sociedade e a necessidade de reforçar a comunicação estratégica das organizações desportivas.
“Há necessidade de reflectirmos sobre a forma como a comunicação estratégica pode permitir um melhor posicionamento dos nossos clubes desportivos, das nossas marcas, dos nossos atletas e de outras figuras icónicas do desporto nacional. Isso leva-nos igualmente a compreender que os jogos não se ganham apenas dentro do campo, mas também em diversas esferas da vida. O desporto contribui para suprir as necessidades básicas das famílias, sobretudo quando as grandes competições impulsionam aquilo a que chamamos indústria desportiva”, observou.
O professor doutor Sílvio Saranga abordou a ética jornalística e o rigor na divulgação da informação, alertando para os efeitos do sensacionalismo na percepção pública dos acontecimentos desportivos e na imagem dos atletas e dos clubes.
“No contexto desportivo, o sensacionalismo distorce, muitas vezes, os factos através de frases retiradas do contexto, que geram polémica. Uma frase fora do contexto pode criar controvérsia no espaço desportivo e na sociedade que vive o desporto. Esta abordagem compromete a compreensão do público e afecta a imagem dos atletas e dos seus clubes. Por isso, a ética jornalística é importante”, sublinhou.
MEDIA DIGITAIS, DIREITOS DE TRANSMISSÃO E JORNALISMO EM DEBATE
A conferência contou ainda com as intervenções dos jornalistas Alfredo Júnior, João Chivale e Adão Matimbe, que partilharam experiências e perspectivas sobre os desafios dos media digitais, os direitos de transmissão televisiva e a produção de conteúdos jornalísticos desportivos.
Alfredo Júnior, director editorial do LanceMZ, chamou a atenção para as dificuldades de monetização dos conteúdos digitais em Moçambique, defendendo a necessidade de encontrar alternativas sustentáveis para financiar a actividade, com destaque para a credibilidade editorial e a captação de publicidade.
“O ecossistema em que trabalhamos ainda não é muito reconhecido em Moçambique, porque as plataformas ainda não pagam. Temos de encontrar outras formas de conseguir que as plataformas paguem e, através da credibilidade, atrair publicidade”, defendeu.`
DIREITOS DE TRANSMISSÃO
Já João Chivale abordou a diferença entre transmitir um evento desportivo e produzir os respectivos conteúdos, destacando a dimensão financeira e jurídica dos direitos de transmissão.
“Eu posso transmitir um evento sem o produzir. Nesse caso, tenho outra designação: sou broadcaster, sou um canal de televisão. Aí, entro na dimensão do broadcaster. Estou a transmitir. E o que significa transmitir? Por exemplo, no CAN 2025, realizado em Marrocos, seria necessário pegar no dinheiro disponível e pagar os direitos de transmissão da competição”, explicou.
Por seu turno, Adão Matimbe destacou a necessidade de os jornalistas de rádio serem concisos na apresentação da informação desportiva, sobretudo na síntese dos acontecimentos de uma partida de futebol.
“Noventa minutos podem ser resumidos em um minuto e meio ou dois minutos e meio. Na rádio, somos telegráficos. Podemos resumir noventa minutos em um minuto e meio ou em quarenta e cinco segundos. O que interessa? O resultado e as suas consequências. Ganhou e pronto. Em poucas palavras”, concluiu.
A IV Conferência Internacional das Ciências da Comunicação e Informação da Escola Superior de Jornalismo constituiu, assim, um espaço de reflexão e partilha de experiências sobre as oportunidades e os desafios contemporâneos da comunicação e da informação no desporto, reunindo diferentes actores ligados ao sector na cidade de Maputo. (LANCEMZ)










