O internacional moçambicano, Reinildo Mandava, escreveu hoje, terça-feira, 13 de Janeiro, na sua página oficial da rede social Facebook, uma mensagem de despedida da seleção nacional de futebol, Mambas. O lateral esquerdo de 31 anos, que já havia anunciado a sua saída dos Mambas logo depois do jogo diante da Nigéria, a 5 de Janeiro, refere que sente que é chegada a hora de “fechar este ciclo tão bonito e tão marcante da sua vida”.
Por: Redacção LanceMZ
Depois de Moçambique terminar a sua participação no CAN Marrocos 2025 nos oitavos-de-final, os três capitães dos Mambas, Dominguez, Mexer incluindo Reinildo decidiram pôr ponto final na sua carreira na equipa de todos nós.
A lesão que Reinildo teve num jogo contra o Real Madrid, as longas viagens entre continentes, voos apertados e os fusos horários, o desgaste físico e emocional, contribuem nessa decisão tomada pelo jogador.
Eis o comunicado de Renildo Mandava:
“Escrevo essas palavras com o coração cheio de gratidão, emoção e respeito.
Foram muitos anos de entrega total à camisola da nossa Seleção Nacional — uma jornada que
começou quando ainda era apenas um miúdo, cheio de sonhos e vontade de honrar o nome do nosso país.
Hoje, aos 31 a caminho dos 32 anos em alguns dias, sei que para muitos vão falar que é jovem e sim sou, mas não tem nada haver com isso mas sim pela lesão grave que eu tive e está na hora de ouvir o meu corpo.
Sinto que é chegada a hora de fechar este ciclo tão bonito e tão marcante da minha vida.
Desde esse primeiro momento até aqui, vivi tudo com paixão. Levei a nossa bandeira comigo por onde quer que jogasse, sempre com orgulho e sentido de missão.
A Seleção Nacional foi, e será sempre, uma parte essencial da minha história — moldou-me como
homem, como atleta e como exemplo para os meus filhos.
Ao longo desta caminhada, vivi alegrias e desafios profundos. Perdi a minha mãe, o meu pilar, numa fase em que o futebol já me levava longe de casa, casei, construí uma família, e hoje sou pai de dois filhos maravilhosos e de uma bebé recém-nascida que me enche o coração de força e responsabilidade.
Tudo o que conquistei devo também a eles, porque são o meu maior motivo para continuar a lutar e a inspirar.
Foram anos de muito trabalho e superação, passei pelo Ferroviário da Beira e pela Liga Desportiva de Maputo, antes de embarcar na aventura europeia que mudou a minha vida, joguei no Benfica B, no AD Fafe, no SC Covilhã e no Belenenses SAD, até chegar a França, ao LOSC Lille, onde tive a honra de ser campeão da Ligue 1, ser o melhor lateral esquerdo da França e vencer o Trophée des Champions. Depois veio o Atlético de Madrid, um dos maiores clubes do mundo, onde vivi momentos intensos e, infelizmente, também a grave lesão que sofri frente ao Real Madrid. Foi um período difícil, mas de grande aprendizagem.
Hoje, realizo outro sonho: o de jogar na Premier League inglesa, ao serviço do Sunderland AFC, o campeonato que sempre admirei desde criança.
Essa lesão mudou muito a minha forma de ver o futebol e a vida. Aprendi que o corpo tem limites e que o tempo nos ensina a escolher com sabedoria, desde então, tenho-me esforçado ao máximo para dividir o meu compromisso entre o clube e a Seleção, mas com o passar dos anos tornou-se cada vez mais difícil com a lesão grave que tive as longas viagens entre continentes, voos apertados e os fusos horários, o desgaste físico e emocional — tudo isso pesa mais hoje do que antes, e é por amor e respeito à Seleção, e não por cansaço, que decido dizer: é tempo de deixar espaço para os mais novos.
Esta decisão foi pensada com o coração, queria despedir-me depois do Campeonato Africano das Nações (CAN), que se realizou agora em Dezembro de 2025 em Marrocos , vestindo pela última vez a nossa camisola, entoando o Hino Nacional com lágrimas de orgulho, e dando tudo até ao último minuto, como sempre fiz.
Queria sair de campo com a alma leve, sabendo que dei o melhor de mim ao meu país e assim o fizemos.
Durante todos estes anos, a Seleção deu-me tanto, deu-me identidade, ensinou-me disciplina e representatividade, ajudou-me a crescer, a chegar onde cheguei, e foi por isso que recebi, com humildade e emoção, a Medalha de Mérito Desportivo — um dos maiores reconhecimentos que um atleta pode sonhar receber.
Mas mais do que medalhas e troféus, o que levo comigo são as memórias: o hino antes de cada jogo, os sorrisos dos adeptos, os abraços no balneário, as lágrimas das vitórias e das derrotas.
A todos os treinadores, colegas de equipa, dirigentes e adeptos que me acompanharam ao longo destes anos, o meu muito obrigado. Obrigado por acreditarem em mim, por me empurrarem nos momentos mais difíceis e por fazerem de mim um homem melhor.
Agradeço também à minha família, que sempre foi o meu porto seguro — ao meus pais, à minha esposa e aos meus filhos, que são a minha maior vitória.
Saio com o coração cheio e com a cabeça erguida. Orgulhoso do que vivi, do que conquistei e do que representei.
Continuarei sempre a torcer pela Seleção, agora do lado de fora, como um adepto apaixonado, como um pai que quer que os seus filhos cresçam vendo Moçambique a sonhar e a vencer.
Com todo o respeito, gratidão e amor pelo meu país, obrigado por tudo o que vivi com esta camisola.
Com estima e eterna consideração…
REINILDO ISNARD MANDAVA”, lê-se. (LANCEMZ)










