Agadir, a cidade costeira vibrante no sul de Marrocos, famosa por sua longa praia de areia, que oferece uma mistura de beleza natural, vida noturna animada e pontos turísticos como a Kasbah, a Marina e o Vale dos Pássaros, com o nome significando "muralha" ou "fortaleza" em berbere foi na qual os Mambas saíram mais felizes, não só pelas temperaturas que mais se assemelham às de Maputo, mas porque foi lá onde realmente se fez história nesta participação do CAN-2026: foi em Agadir que Moçambique alcançou a sua primeira vitória de sempre num Campeonato Africano das Nações e que permitiu a qualificação aos oitavos-de-final da competição.
Por Alfredo Júnior
Os Mambas realizaram dois jogos nesta cidade, o primeiro diante do Gabão em que ganharam por 3-2, provocando uma verdadeira hecatombe no seio dos gaboneses que desde essa derrota começaram a “caça as bruxas” no seio do futebol daquele país, com a sua estrela mor, Pierre-Emerick Aubameyang, e o seu respeitado capitão, Bruno Manga (que tem a alcunha de Paul Biya, devido à sua impressionante longevidade e longa permanência na equipa nacional desde 2006) a serem as principais vítimas.
Mas deixemos esses factos que estão registados nos anais da história do futebol moçambicano e olhemos para como os moçambicanos viveram a sua presença nesta cidade, particularmente os seis jornalistas que estavam escalados para a cobertura da presença da selecção nacional neste campeonato.
Comecemos pela chegada: vindos de Marraquexe, após uma viagem de autocarro de aproximadamente quatro horas, eu e os meus companheiros desembarcamos na Gare de Agadir e os colegas David Nhassengo (Olho Clínico) e Ivo Tavares (Notícias, Desafio e Domingo), que já haviam estado naquela cidade para cobrir um Campeonato Africano de Vólei de Praia, predispuseram-se a ser os nossos guias.
E foi assim que depois de uma breve análise entre o David e o Ivo e tendo efectuado uma consulta rápida no Google Maps, eis que ambos decidiram que deveríamos caminhar a pé da estação de autocarro até ao Apart Hotel de Tagadirt. Proposta aceite pelos restabtes jornalistas Alfredo Júnior (LANCEMZ), Castro Jorge (RM Desporto), Rainito Bata (Diário de Moçambique) e Jeremias Licumbe (Esférico). E lá o grupo anuiu, tendo em conta que as indicações que nos foram fornecidas pela dupla indicava que caminharíamos menos de 20 minutos até ao nosso destino, aceitação essa que como o mais novo do grupo dizia, o Jeremias Licumbe permitiria-nos conhecer a cidade.
E assim fomos empurrando as nossas malas que com as rodinhas diminuíram a massada e disfarçavam o peso do equipamento que cada um transportava e foram uns bons quilómetros nesse exercício até que decidimos questionar a dupla de Agadir quais eram realmente as distâncias que nos separavam do hotel. Obrigados a fazer uma nova consulta colectiva eis que se descobriu que afinal o tempo de caminhada anunciado era de carro e não a pé, o que provocou gargalhadas entre nós e a decisão de procurarmos um táxi para nos levar ao destino.
Foi assim que o grupo, dividido em dois táxis, em dez minutos foi transportado até ao Apart Hotel Tagadirt que foi a nossa casa durante 8 dias. Chegados à nossa base, fomos recebidos pelos gatos que por vezes pareciam superar o número de hóspedes naquela unidade hoteleira, construída há muitos anos e com sinais de estar a beneficiar de uma reabilitação gradual, que faz com que turistas de muitas partes do mundo, sobretudo os oriundos da Alemanha, o escolham, tendo em conta a sua proximidade com a zona turística daquela cidade.
Confesso que nunca tinha visto tanto gato por metro quadrado e a conviver normalmente com os hóspedes, ocupando as cadeiras ao redor das duas piscinas ali existentes, partilhando o mesmo espaço com os clientes quer no restaurante ou então na zona da recepção. Houve dias que os colegas relataram terem visto os gatos a comerem do mesmo prato deixado em cima da mesa pelos hóspedes, o que provocava gargalhadas que nos ajudavam a passar os tempos mortos.
Nesta cidade quebrou-se o gelo entre o Seleccionador Nacional, Chiquinho Conde, e os jornalistas que cobriam a presença dos Mambas neste CAN, particularmente comigo, visto que depois de cenas que não são para aqui chamadas e que se registaram na Argélia no fecho da qualificação ao Mundial 2026, o timoneiro dos Mambas passou a ter uma relação gelada com a comunicação social moçambicana. E estando em véspera do Natal (Dia da Família para os moçambicanos), Conde e os jornalistas trocaram abraços e votos de Feliz Natal o que acabou desanuviando o ambiente e como diz o outro acabou por ser um acto talismã que catapultou os Mambas para a vitória diante do Gabão, no dia seguinte.
Mas quem foram verdadeiramente os gatos pingados que estiveram em Agadir?! Para mim, quem leva esse título na perfeição é a selecção de Angola que saiu de Agadir apenas com dois pontos, fruto do empate com a África do Sul e com o Egipto, que lhes fez sair com o “rabo encolhido” entre as pernas, depois de tanta fanfarronices que nos deram a acompanhar semanas antes.
É que semanas antes e em Portugal, Moçambique e Angola realizaram um jogo amigável de preparação para o CAN-2025 em que os Palancas Negras golearam os Mambas por 4-0 e durante o jogo membros da equipa técnica angolana gritavam alto, a bom som e de forma jocosa o seguinte, sobre a selecção moçambicana: “fechem o Geny, esses moçambicanos não têm nada na sua equipa para além dele”. Engolimos a seco e com a goleada que nos aplicaram ficamos com receio daquilo que seria o desempenho da nossa equipa em Marrocos.
Mas, no final da estada em Agadir foram os angolanos que saíram sem nada e os moçambicanos saíram a festejar a sua primeira vitória e a qualificação para os oitavos-de-final do CAN o que nos fez mudar de cidade para Fés, onde vivenciamos outras histórias dos bastidores desta empreitada que foi a cobertura de mais um Campeonato Africano das Nações pelo autor destas linhas. (LANCEMZ)










