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Simango revela que negociações com a LAM estão encalhadas devido ao elevado valor cobrado, que pode atingir 236 milhões de Meticais

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Depois de longas semanas em silêncio, o Presidente da Liga Moçambicana de Futebol (LMF), Alberto Simango Júnior, pronunciou-se sobre o estado dos preparativos para o arranque do Campeonato Nacional de Futebol, edição de 2026, numa altura em que a LMF prossegue o processo negocial com a companhia aérea de bandeira nacional, as Linhas Aéreas de Moçambique, para viabilizar o transporte das caravanas do Moçambola. Simango, que falava em entrevista à RM Desporto, deu conta de que as negociações estão literalmente bloqueadas, tendo em conta que a LAM se mantém inflexível em relação à sua política de pagamento prévio para a emissão de passagens aéreas, para além de ter apresentado uma factura incomportável na ordem dos 118 milhões de Meticais (que pode chegar aos 236 milhões de Meticais), valor muito acima da previsão da Liga, que apontava para 74 milhões de Meticais com a realização de jornadas combinadas — modelo idealizado para reduzir os custos do transporte aéreo.

Por Alfredo Júnior, extraído da entrevista à RM Desporto

Na entrevista concedida ao canal desportivo da Rádio Moçambique, Alberto Simango Júnior começou por explicar o que terá levado a que o Moçambola 2025 fosse dado por terminado sem que tivessem sido realizadas todas as jornadas programadas, tendo sido declarado o campeão nacional e as equipas despromovidas quando ainda faltavam três jornadas por disputar, facto que ocorreu pela primeira vez no futebol moçambicano.

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“Na época passada, o nosso parceiro, que é a LAM, adoptou um novo modelo: ‘quem não paga, não viaja’. E, para o nível de fluxo de passagens que utilizamos, com toda a logística do movimento das delegações desportivas, essa medida não é viável. Na altura, utilizávamos cerca de 4 mil bilhetes. E, com esse volume, não é possível ter cerca de 130 milhões de meticais sempre adiantados. Isso mudou tudo. Usávamos as passagens à medida que os desembolsos iam sendo feitos, efectuando os pagamentos de forma faseada. Passámos a ter de dispor do dinheiro à cabeça para pagar as passagens. Isto teve um impacto negativo no nosso desempenho, porque houve jornadas que tivemos de reprogramar e adiar jogos até que os desembolsos fossem feitos. Essa foi, de facto, a realidade que nos levou a parar quando faltavam, sensivelmente, três jornadas para o fim do Moçambola da época passada. E isso serviu-nos de aprendizagem”, referiu o Presidente da LMF.

NOVO MODELO APRESENTADO A CHAPO

Após os ensinamentos colhidos no ano passado, a LMF adoptou novas abordagens, tendo Simango dado a conhecer os passos dados desde a criação de uma comissão composta por clubes, que definiu um modelo segundo o qual o Moçambola 2026 será disputado no sistema de todos contra todos, mas com jornadas combinadas.

“Esta época obrigou-nos a uma reflexão profunda para encontrar formas de reduzir os custos do transporte aéreo. Por isso, a direcção da Liga nomeou uma comissão responsável pelo estudo dos modelos de competição, integrando presidentes de clubes e membros da direcção. Essa comissão concluiu que seria possível implementar, ainda que de forma experimental em 2026, o emparelhamento de jogos. Ou seja, equipas que se deslocassem a uma província com dois representantes poderiam realizar, numa única viagem, os dois jogos a que têm direito, evitando deslocações repetidas e reduzindo significativamente os custos. Após consulta à própria companhia aérea, estimou-se que, com este modelo, o custo poderia rondar os 74 milhões de meticais, face aos cerca de 130 milhões pagos em 2025”, explicou Simango.

O dirigente revelou ainda que o modelo foi apresentado ao Presidente da República, Daniel Chapo, ao Governo, através do Ministério da Juventude e Desportos, e à Federação Moçambicana de Futebol.

“Depois de concluído o estudo, a comissão apresentou o modelo a várias entidades, nomeadamente ao Ministério da Juventude e Desporto e à Federação Moçambicana de Futebol, tendo sido aprovado em ambos os casos. Coube-me também apresentar o modelo a Sua Excelência o Presidente da República, com números claros que demonstram uma redução para metade do orçamento da época anterior”, disse Simango.

SALVAGUARDADA A VERDADE DESPORTIVA

O Presidente da LMF assegurou que o modelo proposto não compromete a verdade desportiva do Campeonato Nacional de Futebol.

“Fizemos uma análise aprofundada e concluímos que o modelo não põe em causa a verdade desportiva. Ainda assim, nas últimas três jornadas do campeonato, procuraremos que os jogos decorram de forma normal, com deslocações individuais das equipas, salvaguardando esse princípio”, afirmou.

Posto isto, seguiram-se negociações com a companhia aérea de bandeira nacional, com vista a garantir tarifas bonificadas para as caravanas do Moçambola. No entanto, após várias semanas de contactos, os resultados não têm sido favoráveis à LMF.

“Nós solicitámos uma nova cotação. Durante o estudo, tínhamos uma indicação de valores para 2026. Mas, após o pedido formal, recebemos uma proposta que ultrapassa largamente as nossas expectativas.

Sabemos que a LAM anunciou uma revisão em baixa dos preços dos bilhetes, algo visível na sua página, com diferentes categorias tarifárias. Contudo, no nosso caso, verificou-se o contrário. Recebemos uma cotação que não nos satisfaz e continuamos em negociações, acreditando que será possível chegar a um entendimento”, disse.

COTAÇÃO DA LAM COM VALORES EXORBITANTES

O Presidente da LMF revelou que a nova proposta da LAM eleva o custo do transporte aéreo para cerca de 236 milhões de Meticais, tornando a competição inviável.

“O Moçambola 2026, com a nova cotação, apresenta um valor assustador. Foram-nos apresentados cerca de 118 milhões de meticais, o que, considerando o modelo competitivo, pode atingir os 236 milhões. Algo não está bem, e é isso que queremos esclarecer. Acreditamos na boa-fé da gestão da empresa e esperamos encontrar uma solução para desbloquear o impasse. Esta cotação torna muito difícil a viabilização do campeonato, mas acreditamos que será possível encontrar condições para o seu arranque. É necessário rever este valor de 118 milhões e perceber a sua origem. Pode tratar-se de um erro ou de uma situação operacional, como acontece em voos indirectos. Por exemplo, uma viagem da Beira para Nampula pode custar 34 mil meticais, mas, na ausência de voo directo, obriga a passagem por Maputo, elevando o custo para 68 mil meticais, o que é inconcebível”, explicou.

Na entrevista à RM Desporto, Alberto Simango Júnior assegurou que as negociações com as Linhas Aéreas de Moçambique prosseguem e manifestou esperança de que, nos próximos dias, seja alcançado um entendimento que permita viabilizar a realização do Moçambola 2026, que continua sem data definida para o seu arranque, depois de terem falhado as datas anteriormente apontadas, nomeadamente 28 de Março e 4 de Abril do corrente ano. (LANCEMZ)

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