Os pugilistas moçambicanos Rady Gramane, Alcinda Panguana, Armando Sigauque e Manuel Banguine vão falhar a participação nos Jogos da Commonwealth, que decorrem em Glasgow, Escócia, de 23 de Julho a 2 de Agosto de 2026. Em causa está a não apresentação, em tempo útil, dos resultados do teste SRY durante a reunião técnica da modalidade. Trata-se de um exame genético que identifica a presença ou ausência do gene determinante do sexo masculino e que passou a ser obrigatório nas provas sob égide da World Boxing, a entidade agora reconhecida pelo Comité Olímpico Internacional (COI).
Por: Redacção LanceMZ
A delegação moçambicana chegou à Escócia na terça-feira, 21 de Julho, a tempo de participar na reunião técnica da modalidade de boxe, realizada na noite de quarta-feira (22), no local da competição, sendo obrigatória a apresentação dos resultados do teste SRY.
Contudo, a comitiva moçambicana não conseguiu apresentar os resultados, uma vez que estes ainda não tinham sido disponibilizados pelo laboratório responsável pela análise das amostras. As amostras foram recolhidas em Moçambique, onde não existem laboratórios especializados para este tipo de exame, tendo sido posteriormente enviadas para Portugal para análise.
RESULTADOS DOS EXAMES APENAS DISPONÍVEIS NO DIA 23
O laboratório português não conseguiu concluir os testes em tempo útil para a reunião técnica, comprometendo-se a disponibilizar os resultados apenas nesta quinta-feira, 23 de Julho.
Apesar de a delegação moçambicana ter apresentado os comprovativos da recolha das amostras, do pagamento dos testes e as comunicações do laboratório a confirmar a entrega dos resultados para quinta-feira, a organização da competição de boxe foi inflexível e recusou a inscrição das atletas moçambicanas.
O Comité Olímpico de Moçambique (COM) assegura que as amostras foram recolhidas atempadamente por um laboratório nacional, cuja função se limita à recolha e envio para Portugal, onde são efectuadas as análises. O processo demora, em média, cerca de cinco dias, prazo que inicialmente não colocava em causa a participação das pugilistas nos Jogos, apesar de ser reconhecidamente exíguo.
Segundo o COM, o atraso na obtenção dos resultados está também relacionado com o facto de a Federação Moçambicana de Boxe ter sido aceite recentemente como membro da World Boxing, poucos dias antes do encerramento das inscrições para os Jogos da Commonwealth. Essa admissão permitiu a inclusão da modalidade de boxe na delegação moçambicana, obrigando ao registo dos atletas num curto espaço de tempo.
A integração tardia da Federação Moçambicana de Boxe na World Boxing levou igualmente ao recadastramento de última hora dos pugilistas nacionais, anteriormente registados na extinta Associação Internacional de Boxe (IBA), antiga entidade reconhecida pelo Comité Olímpico Internacional (COI).
Refira-se que o boxe feminino constituía uma das maiores esperanças de medalha para Moçambique. Na edição de Birmingham 2022, Alcinda Panguana, na categoria dos 70 kg, conquistou a medalha de bronze, enquanto Tiago Muxanga arrecadou a medalha de prata.
SOBRE A OBRIGATORIEDADE DO TESTE SRY
A obrigatoriedade do teste genético SRY resulta de uma nova política da World Boxing, que exige que todas as pugilistas realizem um exame genético por PCR para comprovar o sexo biológico, através da detecção do gene SRY, associado à presença do cromossoma Y, como requisito para competir em provas femininas.
Esta medida surgiu após a controvérsia registada nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, envolvendo a campeã olímpica argelina Imane Khelif, que foi impedida de competir em torneios da World Boxing até realizar o referido teste. A atleta chegou a recorrer ao Tribunal Arbitral do Desporto (TAS), contestando a legalidade e a aplicação da exigência.
Nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, o Comité Olímpico Internacional permitiu a participação de Imane Khelif, rejeitando as alegações anteriormente apresentadas pela IBA e considerando que a pugilista cumpria todos os critérios médicos e desportivos exigidos.
Com a World Boxing a assumir o reconhecimento olímpico da modalidade, todas as atletas que pretendam competir em provas femininas passam a estar sujeitas à realização do teste genético SRY, situação que afectou várias delegações presentes em Glasgow. (LanceMZ)











