O presidente da Confederação Africana de Futebol, Patrice Motsepe, reagiu, na noite desta quarta-feira, 18 de Março de 2026, à decisão histórica do Comité de Apelo da CAF de retirar o título de campeão do CAN 2025 ao Senegal e atribuí-lo a Marrocos, um tema que está a fazer correr muita tinta no continente e além-fronteiras. Num comunicado em vídeo, Motsepe afirmou ter ficado “extremamente desapontado com os incidentes inaceitáveis” ocorridos na final, reforçou o compromisso com a “integridade e reputação” do futebol africano e referiu que o organismo que dirige vai respeitar a decisão que resultar de um eventual recurso a ser apresentado pelo Senegal a uma instância superior.
Por Alfredo Júnior
Na sua comunicação, Patrice Motsepe começa por referir-se aos incidentes registados na final do CAN, salientando que “já exprimi o meu desapontamento com as ocorrências no jogo decisivo”, uma vez que o sucedido “afecta o bom trabalho que a CAF tem vindo a desenvolver há muitos anos para garantir a integridade, o respeito, a ética, a boa governação e a credibilidade dos resultados dos jogos”.
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Referindo-se às duas decisões tomadas por órgãos distintos da CAF — primeiro o Conselho de Disciplina, que não deu provimento à queixa apresentada por Marrocos, e depois o Comité de Apelo, que retirou o título ao Senegal — Motsepe afirmou respeitar a independência das decisões dos órgãos jurídicos da CAF.
“Quando me tornei presidente, uma das principais preocupações foi a imparcialidade, a independência e o respeito pelos jogadores, pelos árbitros e pelos comissários. Muito trabalho positivo já foi feito, mas ainda subsistem suspeitas. É uma questão de legado — já existe há muitos anos e continuamos a lidar com isso. Outro aspecto importante que estes incidentes no jogo final evidenciaram é a necessidade de reforçar a independência e o respeito pelos nossos órgãos jurídicos. Ao escolher os membros desses órgãos, seguimos um caminho diferente do que era prática anteriormente. Solicitámos que cada uma das seis zonas indicasse os seus representantes. Assim, se observarmos a composição desses órgãos, verificamos que são integrados por alguns dos juízes e advogados mais respeitados do continente”, referiu Motsepe.
O presidente da CAF abordou ainda o clima de suspeição que envolve algumas decisões dos seus órgãos jurídicos, assegurando que a instituição se rege por princípios de integridade.
“Continuaremos a ter de lidar com percepções e preocupações relacionadas com a integridade. É uma questão persistente. Na CAF, estamos firmemente comprometidos em garantir que, não apenas em termos de acção — pois implementamos as melhores práticas —, mas também na selecção de juízes e advogados de todas as regiões e zonas dos 54 países africanos, sejam assegurados elevados padrões de integridade”, explicou.
O líder máximo da Confederação Africana de Futebol apelou ao Senegal para recorrer às instâncias superiores, sublinhando que a CAF respeitará qualquer decisão que venha a ser tomada.
“Estou convicto de que o Senegal irá recorrer, o que é muito importante. Cada um dos 54 países africanos tem o direito de apresentar os seus recursos e defender os seus interesses, não apenas ao mais alto nível em África, na CAF, mas também a nível internacional. E nós iremos acatar e respeitar a decisão que vier a ser tomada nesse nível. Um princípio fundamental é que nenhum país africano será tratado de forma preferencial, mais vantajosa ou mais favorável do que qualquer outro no continente”, concluiu o presidente da CAF. (LANCEMZ)









