O último fim-de-semana foi rico em jogos de basquetebol sénior masculino, com a realização da primeira janeira de qualificação ao AfroBasket 2025 que decorreu em Monastir, na Tunísia, e Cairo, no Egipto, enquanto em Maputo decorria a pré-qualificação da Zona VI envolvendo Moçambique e África do Sul etapa ganha pelos anfitriões por escassos mas suficientes três pontos de diferença. Depois de acompanhar os jogos deste período a ilação que tiro é que o basquetebol masculino em África já não é mais o mesmo.
Por Alfredo Júnior
Na janela de Cairo Monastir registaram-se resultados imprevisíveis, como as vitórias da Costa do Marfim sobre o Egipto (79-76), os triunfos da Líbia sobre Nigéria e a Uganda depois de ter eliminado o Marrocos, para não falar do Madagáscar que registou a sua primeira vitória de sempre nas eliminatórias ao derrotar a República Centro Africana (por 76-69), o pleno (três jogos e três vitórias) da Tunísia campeã em título (que derrotou Angola por 81-71) e Cabo Verde (que venceu inclusive a desorganizado Nigéria por 78-62).
Em Maputo vimos a selecção moçambicana conquistar uma qualificação sofrível e nos últimos 17 segundos, perante uma selecção sul-africana que treinou junta menos de uma semana e que outrora não chegava aos nossos calcanhares…sendo os nossos “molezas” de outrora, pois só competíamos na Zona VI com Angola.
O mapa ou o “centro do poder” do basquetebol africano em seniores masculino tem estado a mudar, venho constantando isso desde 2019/2020 quando Moçambique falhou a qualificação ao AfroBasket 2021 após perder com o Quénia que era tipo África do Sul para nós…ou seja, uma selecção que ganhávamos sem grandes sobressaltos…mas agora a realidade é bem diferente.
Considero que Moçambique perdeu o comboio ao não participar no AfroCan-2019 que decorreu no Mali em que não fomos a Bamako por falta de dinheiro, depois de uma qualificação sofrida no Zimbabwe em que os atletas se submeteram a uma viagem difícil…uma prova ganha pelo Quénia que prontamente ocupou a vaga deixada aberta por Moçambique.
Um dos factores que trouxe mudanças no basquetebol masculino foi a introdução da Basketball África League (BAL) que veio mudar a abordagem no basquetebol masculino africano e países como a África do Sul demonstram outro interesse, veja só que os dois melhores jogadores da RSA foram o Prinsloo e Cele que estão há três anos a participar na BAL através da equipa do Cape Town Tigers e a ganharem outra dinâmica…
Aliás, tenho seguido a BAL com alguma atenção e noto que todos países (sim, países e não apenas clubes) lutam para estar nesta prova, quando escrevo países é porque alguns clubes fazem uma espécie de selecção dos melhores jogadores do campeonato interno que vão ao clube campeão com o intuito de alcançarem a qualificação a BAL (que significa encaixe financeiro assinalável) e ao conseguirem isso dá outra rodagem…a selecção!
Nós por cá tivemos o Ferroviário da Beira a fazer uma má abordagem da presença na BAL em que os jogadores moçambicanos foram secundarizados (não houve defesa do interesse nacional e critiquei o espanhol Luiz Lopes Hernandez por essa abordagem) e até tivemos o caso do Elves “Stam” Houana que foi preterido…veja só preterir um jogador que em Fevereiro de 2023 foi o melhor da selecção moçambicana no apuramento que decorreu em Bulawayo para o AfroCan 2023 e repetiu igual feito em Angola/Luanda na fase final do AfroCan…mas no seu clube não jogou a fase final da BAL de Maio de 2023 em Kigali/Ruanda e em Novembro de 2023 não foi tido nem achado na fase de apuramento que decorreu em Joanesburgo…mas o Stam como é bom e é disciplinado, trabalhou um mês com o Coach Mila, mostrou que o seu estado físico é excelente (não é por acaso que é proprietário de um ginásio na Beira, salvo o erro) e recuperou a forma ao ponto de ter marcado os três pontos que nos valeram a qualificação…portanto, temos matéria prima interna, precisamos de trabalhar a sério e longe de guerrinhas que nos podem impedir de chegar longe!
Mas, voltando a etapa de qualificação ao AfroBasket 2025 e a selecção nacional masculina conduzida por Milagre Macome, conjugados os resultados do apuramento continuamos os melhores e mais fortes que a África do Sul (por acréscimo mais fortes que o Zimbabwe e Zâmbia que derrotamos na corrida ao AfroCan2023) e este apuramento ao grupo A de qualificação ao AfroBasket pode ajudar a resgatar o posicionamento de Moçambique no contexto do basquetebol africano…caímos no Ranking da FIBA-África do 10º para o 20º e na classificação mundial do 99º para o 109º lugar.
Tal como a presença no AfroCan de 2023 a janela de qualificação que está por vir em Novembro vai permitir realizar mais jogos e se bem abordada a preparação para a participação desta primeira janela do Grupo A poderemos regressar ao AfroBasket algo que não acontece desde 2017…. Este modelo introduzido pela FIBA-África permite dar outra dinâmica as selecções que melhor se preparam para as etapas de qualificação.
Moçambique tem que abordar de forma diferente e organizada a competição interna (por exemplo fazer coincidir o momento alto da temporada com as vésperas da participação na Janela de qualificação), procurar por novos valores, ou seja, de jogadores com nacionalidade moçambicana (por naturalização ou que tenham nascido por cá e desenvolveram o seu basquetebol fora do país) que estão no estrangeiro para colmatar algum défice que temos em algumas posições previamente identificadas…para poder encarar de peito aberto a presença na janela de qualificação!
É possível voltar ao AfroBasket desde que haja união interna e uma abordagem diferente e mais profissional do basquetebol masculino moçambicano!











