A três dias do pontapé de saída do Moçambola, o cenário não é de expectativa, mas de inquietação. O principal campeonato do país prepara-se para arrancar sem aquilo que deveria ser o mínimo indispensável para qualquer competição que se queira séria: garantias financeiras para cumprir a época até ao fim, um regulamento claro e aprovado, um calendário estruturado e um sorteio consensual entre os intervenientes.
OPINIÃO DE ANTÓNIO FRANCISCO
Em vez disso, o que existe é apenas a definição apressada da primeira jornada — uma solução de recurso que, longe de resolver o problema, o agrava. Ao fixar antecipadamente esses jogos iniciais, qualquer sorteio posterior fica inevitavelmente condicionado por mais uma restrição artificial. Ou seja, o que deveria ser um processo transparente e equilibrado transforma-se num exercício limitado, com impactos diretos na verdade desportiva.
Esta gestão improvisada levanta questões sérias. Como podem clubes planear deslocações, preparar logística, negociar patrocínios ou organizar a sua época sem saberem com clareza o que os espera nas semanas seguintes? Como podem os adeptos criar ligação com a competição se nem sequer existe uma narrativa organizada de jornadas, rivalidades e momentos-chave? E, acima de tudo, como se pode falar em profissionalização do futebol moçambicano quando os princípios básicos de organização continuam por cumprir?
Mais preocupante ainda é o facto de este não ser um episódio isolado. Pelo segundo ano consecutivo, assiste-se a uma incapacidade evidente de estruturar o Moçambola com o rigor que a competição exige. Não se trata de um erro pontual, mas de um padrão que compromete a credibilidade da prova e desvaloriza o esforço dos clubes, atletas e restantes intervenientes.
O futebol moderno ou o desporto no geral, exige planeamento, transparência e responsabilidade. Sem esses pilares, não há competição sustentável, não há confiança dos investidores e, sobretudo, não há respeito pelos adeptos. Arrancar uma época nestas condições não é apenas arriscado — é um sinal claro de desorganização profunda.
Se o Moçambola quer afirmar-se como uma competição profissional e competitiva, não pode continuar a começar épocas em cima do improviso. O futebol nacional merece mais. E os seus protagonistas também. (LANCEMZ)











