Com o objectivo de reorganizar as associações de treinadores e de jogadores de futebol, a Federação Moçambicana de Futebol (FMF) reuniu, na tarde desta segunda-feira, 23 de Março, no auditório, antigos protagonistas da modalidade, para alinhar novas estratégias dos respectivos organismos. A reunião foi conduzida pelo presidente da FMF, Feizal Sidat, e contou com a intervenção do vice-presidente para a área administrativa e financeira, Jorge Bambo, que explicou os objectivos do encontro.
Por Vanildo Polege
“O cerne da prática do futebol são os jogadores. E, sendo assim, a Federação Moçambicana de Futebol trabalhou na elaboração de novos estatutos, ou seja, na revisão dos estatutos de funcionamento da Federação, e chegou à conclusão de que era necessário incluir mais actores no processo, nomeadamente no processo eleitoral. Incluir mais actores significa integrar a associação de jogadores de futebol, a associação de treinadores, a associação dos médicos e dar espaço à liga, em representação dos clubes. É nesta senda que tomámos a decisão de apoiar todos estes grupos na sua legalização.”
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Bambo não revelou o valor do apoio financeiro que as duas agremiações poderão receber, mas reforçou a pretensão da FMF em oferecer melhores condições de trabalho aos atletas e treinadores.
“Não temos um limite neste momento, porque isso vai variar de estatuto para estatuto, de organização para organização. O que vamos fazer agora é trabalhar com o nosso departamento jurídico, no sentido de efectuar o levantamento e chegarmos a uma conclusão. Faremos todo o esforço para apoiar estas associações, acreditando que podemos criar condições para que estejam legalizadas e organizadas o suficiente para terem assento na Assembleia.”
Já para Tico-Tico, antigo capitão dos Mambas, esta iniciativa da FMF representa uma mais-valia para os atletas, durante e após a carreira.
“Devo congratular a Federação por esta iniciativa, porque sempre reclamámos que não bastam apenas as associações para decidirem matérias relacionadas com o nosso futebol; é importante envolver outros actores, neste caso a associação dos antigos praticantes e dos treinadores. Acho que isto é bem-vindo, porque muitas vezes nos sentimos afastados das decisões que dizem respeito ao nosso futebol. Sendo antigos praticantes e treinadores, assim como os actuais, em algum momento temos algo a dizer. Penso que é uma iniciativa positiva, pois permite-nos fazer parte deste grupo com voz activa, sobretudo nos escrutínios, em relação aos próximos dirigentes ou ao próximo presidente. Isto aproxima-nos da acção, daquilo que melhor sabemos fazer.”
Por fim, Manuel Valoi, treinador de guarda-redes dos Mambas, e Mustafa Aghy, antigo jogador e actualmente treinador de futebol, consideram que a iniciativa da FMF vai ao encontro das preocupações dos visados, que há muito necessitam de maior atenção, tanto no activo como após a aposentadoria.
“É positivo. Se fazemos parte do desporto, é natural que tenhamos uma palavra a dizer. Não podemos sentir-nos alheios num espaço em que somos figuras activas no processo. É legítimo que tenhamos voz e assento que nos permita defender os nossos interesses. É verdade que já estamos próximos das eleições, não será fácil, mas temos de acelerar o passo, sob pena de ficarmos ultrapassados num processo que interessa às próprias associações”, apontou Valoi.
“Penso que a ideia é louvável e de parabenizar a Federação pela iniciativa, porque há muitos jogadores, tanto antigos como no activo, que ficam lesionados no fim do contrato e, quando este termina, ficam entregues à sua sorte. Isso é triste. Eu já passei por isso e sei como é ser abandonado. Com a criação da associação, acredito que irá ajudar muito os jogadores”, concluiu Aghy. (LANCEMZ)








