O presidente da Federação Moçambicana de Futebol (FMF), Feizal Sidat, manifestou preocupação com a falta de verdade desportiva no actual modelo do Campeonato Nacional de Futebol, o Moçambola. Segundo o dirigente, a competição tem sido marcada por constantes deslocações e dificuldades logísticas decorrentes do sistema de jornadas combinadas, colocando em causa a qualidade e a justiça da prova.
Por Vanildo Polege
As declarações foram feitas à margem da conferência de imprensa de balanço semestral das actividades da FMF.
“A verdade desportiva está condicionada. Há cerca de três semanas viajei para Chimoio e, ao passar pela sala de embarque, vi jogadores, creio que do Ferroviário de Nampula, a dormir no chão. Eram cerca das 21 ou 22 horas. Pergunto: que verdade desportiva pode existir nestas condições? Pessoalmente, isso preocupa-me muito”, afirmou Sidat.
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O presidente da FMF explicou ainda que a federação apresentou à Liga Moçambicana de Futebol (LMF) várias propostas de modelos alternativos para a competição, mas nenhuma foi aceite. Reiterou, por isso, que a FMF não concorda com o actual formato das jornadas combinadas.
“Se este modelo competitivo é o ideal? Eu diria que não. No nosso departamento estudámos vários modelos, mas a decisão cabe aos associados da Liga Moçambicana de Futebol. Espero apenas que este Moçambola chegue ao fim, porque, como sabemos, no ano passado a competição nem terminou”, referiu.
FMF OUVIDA PELA PGR SOBRE ALEGADOS CASOS DE CORRUPÇÃO
Na mesma ocasião, Feizal Sidat revelou que a Federação Moçambicana de Futebol foi ouvida pela Procuradoria-Geral da República (PGR), na qualidade de declarante, no âmbito da investigação aos alegados casos de corrupção no futebol moçambicano.
Segundo o dirigente, a FMF colaborou com as autoridades, mas não dispõe, até ao momento, de provas concretas. Ainda assim, apelou à Liga Moçambicana de Futebol para regularizar as dívidas aos árbitros, considerando que o incumprimento pode favorecer situações de corrupção.
“Fomos chamados, sim, mas não na qualidade de arguidos. Fomos apenas ouvidos para prestar esclarecimentos. Estiveram presentes elementos da CNAF e o secretário-geral. Existem corruptos e corruptores, mas, como federação, continuamos à procura de provas concretas, que até agora não surgiram. Pedimos também à Liga Moçambicana de Futebol que liquide as dívidas do ano passado e cumpra igualmente com os pagamentos deste ano, para evitar situações deste género, que condenamos veementemente”, concluiu.
Refira-se que o Moçambola 2026 vai na 11.ª jornada, mas algumas equipas ainda não completaram sequer dez jogos. Além disso, vários clubes disputaram mais partidas em casa do que fora, consequência da implementação das jornadas combinadas pela Liga Moçambicana de Futebol. (LanceMZ)











