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Família do atletismo insatisfeita com proposta do FPD de instalar academia de futebol no Parque dos Continuadores

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A família do atletismo da capital do país reagiu com insatisfação à decisão tomada pelo Fundo de Promoção Desportiva (FPD) de requalificar o Parque dos Continuadores, recinto considerado a catedral da modalidade no país. O espaço passará a contar com uma academia de futebol, um ginásio e outras infraestruturas sem fins lucrativos, o que, para os amantes da modalidade, poderá significar a perda de espaço para a prática do atletismo.

Por Rosário Rafael

Há mais de 50 anos que o Parque dos Continuadores é a casa do atletismo moçambicano, sendo o local por onde passaram figuras como Lurdes Mutola e Argentina Paulina, que elevaram bem alto a bandeira do país.

Diariamente, centenas de crianças e jovens passam por aquele recinto, perseguindo o sonho de atingir os níveis das atletas acima citadas, que conquistaram medalhas olímpicas, mundiais e africanas, com treinos iniciados naquele parque.

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O anúncio de que o recinto será alvo de uma requalificação que dará lugar à implantação de uma academia de futebol não foi bem recebido por treinadores, dirigentes e ex-praticantes de atletismo, que consideram que a medida tomada pelo Fundo de Promoção Desportiva não será benéfica para a modalidade.

 

“Deixar de existir este símbolo seria um desastre para a sociedade. E nós ficamos sem meios, numa altura em que o desemprego também não oferece condições. Não teremos onde realizar provas técnicas. Temos disciplinas como lançamento do dardo e do disco. Muitas vezes, quando estamos a realizar provas, somos impedidos porque a selecção vai treinar ou utilizar o espaço. Assim, acabamos por deixar o piso em piores condições”, afirmou Manuel Vicente, treinador-adjunto do Ferroviário das Mahotas.

 

“Na minha opinião, doa a quem doer, isto não deve ser vendido nem alugado. Este é um espaço onde se formaram muitos nomes e por onde passaram várias figuras. E depois aparecem na televisão a falar com orgulho. Refiro-me à directora do Fundo, sim, estou a falar dela”, sublinhou Agostinho Tomás, treinador do Ferroviário das Mahotas.

 

Para o treinador Azarias Samuel e para Gerson Mechisso, ex-praticante da modalidade, a inserção de uma academia de futebol poderá comprometer a prática do atletismo, considerando ainda que a iniciativa não é viável devido à incompatibilidade entre as duas modalidades.

 

“Para mim, querem acabar com o atletismo. Não sei qual é a nossa culpa. Talvez seja por ser a única modalidade neste país que traz resultados reconhecidos. O atletismo está a ser prejudicado. Gostaríamos que outras modalidades, como o futebol, também conquistassem medalhas mundiais, mas isso não aconteceu. Há muitos espaços onde se podem desenvolver esses projectos. Aqui perto, no 7 de Abril ou no Machaquene, existem campos que poderiam ser utilizados mediante negociação com o Conselho Municipal”, disse Azarias Samuel.

 

“Na verdade, o Fundo de Promoção Desportiva ainda não apresentou o projecto de requalificação da pista. Se analisarmos bem, o Parque dos Continuadores abrange todo este quarteirão e, a cada dia que passa, estamos a perder espaço. A área destinada ao atletismo está a diminuir”, referiu Gerson Mechisso.

 

Por sua vez, Óscar de Carvalho, primeiro presidente da Federação Moçambicana de Atletismo aquando da sua criação, recordou que, ao longo dos 50 anos de existência da FMA, a instituição sempre desenvolveu as suas actividades no Parque dos Continuadores e questionou a decisão.

 

“Em detrimento do atletismo, fazer nascer uma academia de futebol é inconcebível. Como é que se transforma o Parque dos Continuadores numa academia de futebol? Mesmo que se diga que será para futebol e atletismo, não é a mesma coisa. Esta é a casa do atletismo. Sempre foi e não pode mudar de mãos sem consenso de toda a família da modalidade”, afirmou o antigo dirigente.

 

De Carvalho foi mais longe, defendendo que uma decisão estruturante como a requalificação do Parque dos Continuadores deveria ser objecto de concurso público, sem que o espaço perca a sua principal vocação: acolher treinos e provas de todas as disciplinas do atletismo.

 

“Penso que este processo deve ser suspenso e devidamente enquadrado na lei das parcerias público-privadas, conforme referiu a directora do Fundo. Deve ser aberto um concurso público, com publicação oficial e participação de vários concorrentes. A prioridade deve ser a melhoria do parque para o atletismo, nunca para o futebol”, acrescentou Óscar de Carvalho.

 

A família do atletismo pretende reunir-se para interpor um recurso junto das entidades competentes, com vista a impedir a requalificação nos termos anunciados pelo Fundo de Promoção Desportiva, por considerar que a mesma não é favorável à prática da modalidade. (LANCEMZ)

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