Comentadores desportivos ouvidos pelo LanceMZ lamentam o retrocesso registado no processo de assinatura de um novo contrato entre a Federação Moçambicana de Futebol (FMF) e o treinador Chiquinho Conde, devido ao desentendimento em relação a algumas cláusulas constantes do documento já assinado pelo órgão federativo. Conde exige retroactividade a partir de 1 de Fevereiro e contesta as cláusulas de rescisão do contrato, enquanto a FMF afirma já ter cedido a algumas exigências do treinador, como a questão salarial, que ronda cerca de 1 milhão e 500 mil meticais.
Por Alfredo Júnior
A assinatura do novo contrato entre a Federação Moçambicana de Futebol e o treinador Chiquinho Conde sofreu um revés, depois de o técnico ter discordado de algumas cláusulas constantes do acordo já rubricado pelo presidente da FMF, Feizal Sidat. Numa das cláusulas, o contrato enviado pelo órgão federativo refere o dia 1 de Março como a data de início da vigência do acordo, algo que contraria as pretensões de Conde, que pretende que a sua nova ligação com os Mambas tenha como ponto de partida o dia 1 de Fevereiro do corrente ano, o que implica o pagamento de salários com efeitos retroactivos.
VEJA NO NOSSO YOUTUBE
Por outro lado, as cláusulas relativas à rescisão do contrato constituem outro ponto de discórdia para o treinador, contribuindo para a não conclusão deste processo, que já se arrasta e divide opiniões entre comentadores desportivos moçambicanos.
ESPERO QUE PREVALEÇA O BOM SENSO – DIZ VICTOR MAGAIA, COMENTADOR RM DESPORTO
Questionado sobre estas divergências, o comentador da RM Desporto, Victor Magaia, apelou ao bom senso para que se ultrapasse este desentendimento, referindo que não se justifica a exigência de retroactivos por parte do treinador.
“É com muita pena que acompanhamos este processo do novo contrato. Havia um debate — e bem — de que não se trata de renovação, porque o primeiro contrato terminou, mas sim de um novo acordo que vai ser celebrado. Esperava que fosse célere e que as duas partes se entendessem rapidamente, e continuo a esperar que prevaleça o bom senso. Esta questão dos retroactivos tem sido um entrave à assinatura por parte do seleccionador nacional, impedindo a conclusão do processo. Na minha opinião, trata-se de algo que não devia travar o andamento deste processo, até porque estamos a falar de um período em que não houve trabalho nem vínculo com a Federação Moçambicana de Futebol. Apelo ao mister Chiquinho Conde para que reveja a sua posição relativamente a esta questão”, disse Victor Magaia.
CONDE DEVE DEIXAR O SEU EGO – DIZ ALBINO MUIAMBO, COMENTADOR MIRAMAR TV
Por seu turno, Albino Muiambo, jornalista desportivo da RM Desporto e comentador da Miramar TV, considera que o processo negocial entre a FMF e Chiquinho Conde já se prolonga excessivamente, destacando que algumas pretensões do treinador já foram satisfeitas, como o aumento salarial, que estará próximo de 1 milhão e 500 mil meticais.
“Primeiro, é preciso elogiar o trabalho que o LanceMZ tem feito no acompanhamento desta situação. Isto é jornalismo independente, com o interesse de informar com verdade, equidistância e qualidade. Em relação ao assunto, trata-se de um folhetim que já vai longo. Do ponto de vista jurídico, o seleccionador deve ter as suas razões, mas, segundo me informei, a regra é que os contratos produzem efeitos a partir da sua entrada em vigor. Chiquinho Conde merece respeito e gratidão pelo trabalho realizado, nomeadamente pelas qualificações consecutivas para o CAN, algo que não acontecia há muitos anos. No entanto, no futebol ninguém ganha sozinho. Se as informações que circulam forem verdadeiras, penso que deve deixar de lado o ego e permitir a assinatura do contrato, para que a selecção entre numa nova fase de preparação para os próximos compromissos”, comentou Albino Muiambo.
SE NÃO TIVER SIDO ABORDADA ANTES, NÃO FAZ SENTIDO A RETROACTIVIDADE – REFERE ANTÓNIO FUMO
António Fumo, comentador da TVM, considera que a exigência de retroactividade só faz sentido caso tenha sido discutida durante a fase negocial da contratação de Chiquinho Conde.
“Há uma evolução no processo: passou-se da intenção para a negociação e agora para a fase de contratação. Contudo, um contrato com efeitos retroactivos, à partida, é algo pouco comum. Pode fazer sentido se, durante as negociações, essa possibilidade tiver sido acordada entre as partes, mesmo que não tenha sido formalizada por escrito. Caso contrário, não faz sentido que o contrato produza efeitos antes da data acordada. Do ponto de vista jurídico, se a retroactividade foi efectivamente abordada, deve ser considerada na assinatura final. Ao que consta, essa questão terá sido discutida, mas não ficou plasmada no documento, o que explica a actual divergência”, afirmou António Fumo.
Fumo espera que, com ou sem orientações superiores, as duas partes cheguem a um entendimento, em prol do futebol moçambicano, apelando também à correcção de erros cometidos na anterior ligação.
“Independentemente de orientações superiores, o que se pretende é o bem do futebol. A Federação, sob liderança de Feizal Sidat, tem registado evolução em vários aspectos. Contudo, nesta relação com Chiquinho Conde, houve erros de ambas as partes. Este é o momento de os corrigir e de colocar o interesse maior — o futebol — acima de tudo. O futebol não pertence a uma pessoa; a FMF é apenas a sua gestora. Hoje estão uns, amanhã estarão outros, mas é fundamental criar bases sólidas de trabalho para não prejudicar este bem colectivo”, acrescentou.
Refira-se que o contrato apresentado pela Federação Moçambicana de Futebol tem término previsto para 31 de Julho de 2027, tendo como referência a participação no CAN 2027. Moçambique inicia, em Setembro, a fase de qualificação para a prova, que terá lugar no Quénia, Tanzânia e Uganda. (LANCEMZ)









