A fraca prática da actividade desportiva na província de Maputo foi um dos temas debatidos num workshop realizado neste sábado, 4 de Abril, numa unidade hoteleira daquela parcela do país, onde desportistas se reuniram para procurar soluções para o problema.
Por: Julião Tsowo e Vanildo Polege
Esmeraldo Mucache, presidente da Associação Provincial de Futebol de Maputo, elencou os motivos do encontro, destacando a participação irregular da província no Moçambola nos últimos 20 anos.
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“O segundo motivo que nos leva a realizar esta reflexão é a redução significativa do número de equipas que participam no Campeonato Provincial. Anualmente, a tendência é a diminuição do número de equipas. Este ano, estamos apenas com oito. Se, no mínimo, essas oito equipas estivessem a representar cada um dos distritos, seria muito bom. Temos distritos que não estão representados, nomeadamente Matutuíne, Magude e Moamba. Não estão no Campeonato Provincial. A outra razão é a frequente extinção de equipas que emergem para o futebol. Se formos visitar a plataforma da FIFA, vamos constatar que a província de Maputo tem cerca de 80 equipas”.
Mucache avançou ainda sobre o abandono, por parte dos clubes, das camadas de formação.
“A província de Maputo abandonou a cultura de formação. Temos equipas que emergem para o futebol, mas dedicam-se apenas aos escalões seniores. Não sabemos sequer de onde vêm esses jogadores. Este cenário vai em contramão com a situação geográfica e económica da província, que é privilegiada. Em termos geográficos, possui condições naturais favoráveis, com menos áreas acidentadas para investimento em infra-estruturas desportivas, nomeadamente a construção de campos de futebol. Em termos económicos, é também uma província privilegiada, sendo considerada a que ostenta o maior parque industrial. Perante estes factos, é nossa maior preocupação perceber o que deve ser feito para unir o empresariado local com os gestores do futebol”, concluiu.
Após a descida do Desportivo da Matola no Moçambola, na época passada, a província de Maputo voltou a não ter qualquer clube na principal prova futebolística do país, facto que Sidat considera resultar da fraca gestão do desporto na província.
“Nós não temos clubes, temos equipas. Infelizmente, o único clube que temos aqui, a cerca de um quilómetro daqui, está integrado na Associação de Futebol da Cidade de Maputo. Esse sim é um clube. O resto, incluindo o Desportivo da Matola, são apenas equipas de futebol. Portanto, precisamos pensar e repensar”, afirmou Sidat.
O árbitro FIFA Arsénio Marrengula revelou que os árbitros enfrentam dificuldades ao nível da formação na província.
“O desafio é enorme, tendo em conta o que foi levantado durante este workshop. O primeiro desafio é a formação e as oportunidades de capacitação. Ainda estamos numa base antiga. As novas oportunidades para formar os nossos árbitros, de acordo com a conjuntura actual, ainda não chegam à província. No entanto, acredito que posso ser uma ponte e já comecei a desenvolver esse trabalho com alguns instrutores nacionais, seguindo as recomendações recebidas. Sempre que participo em cursos, faço questão de partilhar os conhecimentos. Já iniciámos trabalhos semanais na província para suprir essa necessidade. Não há futebol sem árbitros, tal como não há árbitros sem jogadores, treinadores e patrocinadores. Com estas formações, pretendemos construir equipas, aplicar as leis do jogo e contribuir positivamente para a verdade desportiva”.
Já o presidente do Clube da Manhiça, Gerdino Nguenha, mostrou-se preocupado com o actual estado do futebol na província de Maputo.
“O futebol ao nível da província de Maputo não está de boa saúde. Há necessidade de reflectirmos para que, nos próximos anos, possamos ter uma província mais forte. Sem olhar apenas para as grandes competições, como referiu o presidente Sidat, devemos começar pela formação de base e pelas infra-estruturas. Só depois poderemos ambicionar voos mais altos. Foi lançado o desafio de não olharmos apenas para as grandes provas, mas sim para a nossa realidade”, afirmou.
O encontro foi organizado pela Associação Provincial de Futebol de Maputo e contou com a participação de gestores desportivos, presidentes de clubes e árbitros de futebol.
(LANCEMZ)









