O Presidente da Liga Moçambicana de Futebol, Alberto Simango Júnior, mostrou-se desapontado com a atitude das Linhas Aéreas de Moçambique, que apresentaram exigências diferentes das que têm marcado as relações entre as duas entidades, que já perduram há mais de 25 anos. Numa entrevista concedida à RM Desporto, Simango revelou que as dívidas do passado voltaram a ser colocadas em cima da mesa, adiantando que, actualmente, a LMF tem uma dívida de 91 milhões de meticais para com a companhia aérea de bandeira nacional, sendo que 11 milhões são referentes ao Moçambola 2025 e deverão ser pagos antes do arranque da edição deste ano, enquanto os restantes 80 milhões dizem respeito a épocas anteriores. Ainda assim, Simango acredita que tudo será ultrapassado e que o Moçambola arrancará ainda neste mês de Abril, garantindo que a data da Assembleia Geral, seguida do sorteio, será anunciada nos próximos dias.
Por Alfredo Júnior, extraído da entrevista à RM Desporto
Para Simango, esta diferenciação no tratamento causa estranheza, visto que a LAM é um dos patrocinadores fundadores da Liga Moçambicana de Futebol.
“Desde que a Liga existe, há 25 anos, a LAM sempre foi parceira deste projecto. E sempre se olhou para o futebol como uma actividade social que merece um tratamento muito especial. Tanto que, no princípio, os preços dos bilhetes que utilizávamos eram de excursão de fim-de-semana. Portanto, era sempre ‘low cost’ para a Liga e para as delegações desportivas. E acreditamos que este espírito não deixou de existir. Se calhar, durante a transição de uma direcção para a outra, já que a companhia passou por vários momentos, provavelmente não se teve em conta este requisito. Mas estamos prontos para negociar, salvaguardando e defendendo os interesses do futebol e dos nossos clubes”, referiu.
DÍVIDAS DO PASSADO, UM FARDO PESADO
Por outro lado, o Presidente da Liga Moçambicana de Futebol referiu que a questão das dívidas das temporadas passadas foi aflorada nas negociações com as Linhas Aéreas de Moçambique, sendo que, actualmente, existe uma dívida de 11 milhões de meticais referente à temporada passada, que não chegou ao fim, e outra, mais antiga, que atinge os 80 milhões de meticais.
“Nós temos dois tipos de dívida com a nossa companhia de bandeira, isto é público, consta das nossas contas e foi apresentado em Assembleia Geral. Temos uma dívida de épocas anteriores, estamos a falar de 25 anos de existência da Liga, que ronda os 80 milhões de meticais. E temos uma dívida do ano passado de cerca de 11 milhões de meticais. Pelo acordo que temos com a nossa companhia de bandeira, para iniciarmos a época corrente temos de liquidar a dívida da época anterior. Tem sido esta prática nos últimos quatro anos, desde 2022. Se temos uma dívida, para não aumentar o acumulado do passado, é preciso liquidar esta e depois continuar com a conta corrente. Em relação aos 80 milhões, existe um plano para amortizar. Naturalmente, sendo parceiros do Estado, e sendo o futebol um interesse nacional, acreditamos que encontraremos, através de parceiros ou patrocínios, formas de a liquidar. Estamos todos os dias a trabalhar para tornar o nosso produto mais atractivo”, explicou.
HÁ FALTA DE VONTADE DA LAM
Simango foi mais longe ao considerar que tem havido falta de vontade da LAM para flexibilizar as negociações e encontrar uma tarifa realista, favorável ao transporte das caravanas do Moçambola, como aconteceu em anos anteriores.
“O problema do transporte aéreo, especificamente, é um problema de vontade. Imagina que pretendes viajar agora para Nampula: podes abrir o site da companhia e não há nenhum bilhete que custe 68 mil meticais. Nem para o destino mais caro da companhia existe uma tarifa com esse valor. O preço mais alto ronda os 40 mil meticais. Por que razão a Liga tem de pagar 68 mil meticais? Então, alguma coisa não está bem, é preciso esclarecer. Ou seja, está a vender cada passagem à Liga Moçambicana de Futebol por 68 mil meticais. E essa responsabilidade não pode ser imputada à Liga. Se não tens um avião que possa sair de Lichinga e deixar a equipa na Beira, e a companhia te traz a Maputo e depois segues para a Beira, tens de pagar dois trajectos de 34 mil meticais cada. Este é o problema para nós, visto que antes não era assim. Isto preocupa-nos e não percebemos que mensagem é essa. Mas o país é de todos nós e queremos soluções em conjunto.”
Com os constrangimentos que tem enfrentado, a Liga Moçambicana de Futebol estima que os custos do Moçambola 2026 estejam na ordem dos 130 milhões de meticais.
“O estudo que foi feito não foi aleatório, baseou-se nos custos da época passada, que também não foram baixos: cerca de 2 milhões de dólares, equivalentes a aproximadamente 130 milhões de meticais, dos quais a Liga conseguiu pagar 90 milhões. E, mesmo assim, não foi possível concluir o campeonato. Para o Moçambola 2026, precisamos de um valor semelhante. Nas nossas contas, com 130 milhões de meticais conseguiríamos realizar o campeonato com tranquilidade”, disse o dirigente.
PARA BREVE, ASSEMBLEIA GERAL E SORTEIO
Simango referiu que tem o compromisso dos parceiros que apoiaram a edição passada de que voltarão a fazê-lo na presente temporada.
“Em 2025, a Liga Moçambicana de Futebol, através dos seus patrocinadores, desembolsou 90 milhões de meticais à LAM. As empresas sempre nos apoiaram e, inclusive, fizeram depósitos directos à LAM. Esse dinheiro não passou pelas contas da Liga. Tanto que estamos agora com dificuldades em fechar a auditoria, porque estamos a solicitar extractos e, como os valores não passaram pela Liga, tendo sido pagos directamente à LAM, o processo torna-se mais complexo. Naturalmente, há pessoas, empresas e entidades que acreditam no projecto e no futebol moçambicano, e querem investir para que possamos descobrir novos talentos e projectá-los no panorama futebolístico mundial.”
O Presidente da LMF deu ainda conta de que as relações com a FMF são boas, tendo culminado com a assinatura do memorando de entendimento para a gestão do Moçambola nas próximas duas épocas, salientando que os clubes têm acompanhado todos os contactos efectuados pela Liga para viabilizar a prova.
“Hoje posso dizer claramente que a nossa relação com a federação é estável. Já assinámos o memorando de entendimento sobre a gestão do campeonato por duas épocas. Tudo foi trabalhado de forma minuciosa e com a convicção de que estamos no caminho certo. Os clubes têm sido informados de tudo. Sempre que possível, comunicamos o que está a acontecer. Este assunto da nova cotação, por exemplo, é do conhecimento dos clubes. Da primeira vez que fomos à LAM solicitar uma cotação para o estudo do modelo, fomos acompanhados pelos clubes e foi-nos apresentado um determinado valor. Não foi a direcção da Liga que o inventou, foi indicado por alguém ligado à companhia. E agora, ao surgir uma nova cotação, isso causa naturalmente surpresa”, afirmou o Presidente da LMF.
Ainda assim, e apesar de todas estas dificuldades, Alberto Simango Júnior mantém a expectativa de que o Moçambola 2026 arranque ainda neste mês de Abril, esperando que, ao longo da próxima semana, seja convocada a Assembleia Geral para viabilizar o sorteio do Campeonato Nacional de Futebol. (LANCEMZ)










