Após as declarações polémicas de alguns treinadores, entre os quais Akil Marcelino e Artur Semedo, que têm questionado o alegado controlo dos jogos do Campeonato Nacional de Futebol, o Moçambola, o presidente da Comissão Nacional de Árbitros de Futebol (CNAF), Francisco Machel, veio a público rebater essas acusações e questionar: “Quem está a controlar?”
Por Vanildo Polege
“Os clubes que estão mal na tabela e procuram evitar a despromoção são os principais promotores desta situação. Aqueles que estão no topo da tabela também são apontados como promotores. Neste momento, estamos a acompanhar. Há treinadores que dizem que há uma ‘encomenda’ ali e outra acolá, que há quem controle. Mas ninguém diz quem está a controlar este futebol. Se há encomendas, quem está a encomendar?”, questionou Machel.
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“Penso que temos de deixar de lado esta questão das especulações. Por que razão é que uns se deixam controlar? Por que não controlam? Portanto, é isto que devemos apelar: todos trabalhamos para o futebol”, acrescentou.
Machel foi ainda mais longe ao abordar os responsáveis pela instabilidade relacionada com a arbitragem no Moçambola, deixando críticas aos dirigentes.
“O que mais nos preocupa é que estes tumultos são provocados por entidades devidamente identificadas, sobretudo dirigentes do futebol. Esta é a nossa preocupação. No futebol, cada um deve fazer a sua parte. Nós, que somos árbitros, estamos a fazer a nossa parte, que é ajuizar os jogos. Os dirigentes também deviam fazer o mesmo, tratando das suas equipas, e os treinadores do seu trabalho”, afirmou.
“Mas o que temos visto nos campos é que todos atacam os árbitros. Por que razão atacam os árbitros? Seja no início, ao longo ou no fim do jogo, todos direccionam os ataques aos árbitros. Será que eles não estão a fazer nada? Estamos a apelar para que cada um faça o seu trabalho. Se houver fracasso, que seja resultado do seu trabalho; se houver sucesso, que também seja resultado do seu trabalho. Cada um tem as suas tarefas”, acrescentou Francisco Machel.
O presidente da CNAF falou igualmente sobre os recentes casos de violência nos campos de futebol, com destaque para o episódio registado no jogo entre o Ferroviário de Nacala e a Black Bulls, que foi interrompido após o lançamento de pedras para o recinto.
“Na minha opinião, esses casos não têm nada a ver com uma má actuação da arbitragem. Se formos avaliar e analisar os acontecimentos, vamos verificar que estas situações estão a surgir precisamente em clubes que estão bem na tabela classificativa. Se olharmos para o topo da classificação, vemos que os clubes que estão nessa zona protagonizam algumas destas situações. E os clubes que estão na parte de baixo, que lutam para evitar a despromoção, também recorrem a este tipo de situações quando não conseguem alcançar os seus objectivos”, explicou.
“Se analisarmos, são casos que foram preparados e não têm nada a ver com a arbitragem. É inconcebível que, aos três minutos de jogo, já estejam a ser lançadas pedras. Isso demonstra que há pessoas que se prepararam para provocar estas situações”, concluiu o timoneiro da CNAF.
Francisco Machel fez estas declarações na tarde desta segunda-feira, 24 de Agosto, durante a abertura do curso FIFA para árbitros, realizado na sede da Federação Moçambicana de Futebol. (LanceMZ)









