Quatro dias após o sorteio do Campeonato Nacional de Futebol, os 14 clubes que vão participar no Moçambola 2026 reuniram-se e contestaram o ordenamento dos jogos da prova, cujo arranque está marcado para o dia 1 de Maio. Na ocasião, exigiram ainda que a Liga Moçambicana de Futebol (LMF) apresente garantias financeiras que assegurem a conclusão da competição.
Por Alfredo Júnior
A reunião, realizada por via virtual, contou com a participação dos presidentes das colectividades envolvidas e teve três pontos na agenda: a análise do sorteio efectuado no último sábado, a apreciação do modelo de partidas duplas e o delineamento de um plano B, caso não existam garantias financeiras para a realização da prova no modelo inicialmente perspectivado.
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O calendário resultante do sorteio foi contestado pelos clubes por, alegadamente, desvirtuar o modelo sugerido pelas próprias equipas, que defendiam a realização da prova com jornadas duplamente emparelhadas. No modelo apresentado pela LMF, há clubes que disputarão nove jogos em casa na primeira volta e apenas quatro fora, situação que se inverte com outras equipas na segunda volta. Esta disparidade é vista como prejudicial à verdade desportiva, além de pressionar a capacidade financeira de clubes com orçamentos limitados.
Entre os exemplos apontados, destaca-se o caso da Associação Desportiva de Pemba, que poderá realizar seis jogos consecutivos fora de casa, o que poderá ter impacto negativo nas suas finanças, tendo em conta a dependência das receitas de bilheteira para suportar despesas como hospedagem, salários e outros custos fixos.
Perante este cenário, os clubes solicitaram que a LMF refaça o calendário do Moçambola 2026, alinhando-o com a proposta inicial que prevê o emparelhamento de jornadas de duas em duas, ou seja, dois jogos fora e dois em casa.
Em suma, os clubes aceitam o modelo de emparelhamento de jogos como forma de reduzir os custos com o transporte aéreo, mas rejeitam que esse ajustamento ultrapasse dois jogos consecutivos na condição de anfitrião ou visitante.
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Por outro lado, exigem que a LMF apresente garantias financeiras para a implementação do modelo proposto, assegurando a realização integral da prova, de modo a evitar situações como a da época passada, em que o campeonato não foi concluído.
Na correspondência enviada à LMF, os clubes solicitam que essas garantias sejam apresentadas até ao dia 30 de Abril, apesar da proximidade com a data prevista para o arranque da competição, a 1 de Maio.
Caso tais garantias não sejam asseguradas, os clubes propõem a adopção de um plano B, que passa pela realização do Moçambola 2026 em duas fases, num modelo regional (Sul, Centro e Norte), distribuindo as 14 equipas de acordo com a sua localização geográfica.
Assim, a Zona Sul contaria com cinco equipas (Costa do Sol, Maxaquene, Ferroviário de Maputo, Black Bulls e Associação Desportiva de Vilankulo), a Zona Centro com quatro (União Desportiva do Songo, Chingale de Tete, Ferroviário da Beira e Liga Desportiva de Sofala) e a Zona Norte com cinco formações (Ferroviário de Nampula, Ferroviário de Nacala, Ferroviário de Lichinga, Baía de Pemba FC e Associação Desportiva de Pemba).
A fase regional seria disputada no sistema de todos contra todos, a duas voltas, seguindo-se uma fase nacional com oito clubes: os três primeiros classificados das zonas Sul e Norte e os dois primeiros da Zona Centro.
Estes oito clubes disputariam o título nacional, também no sistema de todos contra todos a duas voltas, enquanto os restantes lutariam pela permanência na primeira divisão, num modelo ainda por definir.
Estes pontos constam de uma comunicação da Comissão dos Clubes, já enviada à Liga Moçambicana de Futebol, que deverá pronunciar-se nos próximos dias sobre as preocupações levantadas na reunião entre os presidentes das 14 colectividades participantes no Moçambola 2026. (LANCEMZ)











