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Chiquinho Conde e a paragem do Moçambola: paradoxo entre a falta de ritmo e necessidade de preparação dos Mambas

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Tal como na primeira paragem do Campeonato Nacional de Futebol verificada entre o final do mês de Maio e início do mês de Junho, a interrupção do Moçambola 2022 é feita à pedido do seleccionador nacional, Chiquinho Conde, que necessita de mais tempo para montar a sua equipa para os compromissos que se avizinham dos Mambas que contam apenas com jogadores que actuam internamente.

 

Por Alfredo Júnior

 

O seleccionador nacional não se mostrou alheio ao debate que se abre sempre que os Mambas tem a necessidade de fazer a sua preparação, obrigando a paragem do principal campeonato nacional de futebol, prova que está ainda a ganhar ritmo devido ao início tardio, ou seja Conde não ficou sem opinar sobre o paradoxo da necessidade de os jogadores chegarem aos Mambas com algum ritmo competitivo, vindos de uma prova com interrupções frequentes o que prejudica na obtenção do desejado estado de forma dos atletas que é ganho em plena competição.

 

“O Moçambola para 33 dias, mas é uma situação que beneficia a selecção nacional, pois vamos ter os jogadores concentrados para trabalhamos aquilo que são as nossas ideias porque com o decorrer do Campeonato nacional não teríamos a chance de podermos juntar esses atletas”, justificou Chiquinho Conde quando instado pelo LanceMZ a comentar esta paragem.

 

Chiquinho Conde é de opinião de que apesar de a Taça COSAFA não se enquadrar nas regras da Data-FIFA que obrigam a cedência dos jogadores pelos clubes para as selecções nacionais com alguma antecedência é pertinente a realização de estágios com os jogadores seleccionados, para que eles entrem na filosofia de trabalho e assimilem os esquemas tácticos e modelos de jogos a implementar pela equipa de todos nós.

 

“Uma coisa é mudar um pouco o ‘chip’ quando saem de um clube para a selecção nacional que tem a ideia pré-definida, tem o seu modelo de jogo que tem que ser trabalhado, é claro que essa conjuntura não beneficia muito a selecção nacional por causa da falta de ritmo dos jogadores que estão a disputar o Moçambola”, observou o timoneiro dos Mambas.

 

Para muitos analistas estas paragens dos Moçambola não são consensuais, muito por culpa do facto de a época futebolística moçambicana estar defasada quando comparada com os restantes países da região austral de África e não. Sobre este aspecto, Conde remete à análise para quem de direito, nomeadamente as entidades que gerem o futebol nacional e o Moçambola.

 

“Essa é uma situação que a Federação Moçambicana de Futebol e a Liga Moçambicana de Futebol terão que solucionar, em função dos jogos da Confederação Africana de Futebol e da calendarização que vem pela frente, só me resta a mim e a equipa técnica da selecção nacional encontrar a melhor forma para que não prejudique nenhuma das partes, pois percebo a preocupação quer dos clubes (que são eles que pagam os salários) quer dos treinadores que muitas vezes estão sujeitos a estas paragens do Moçambola, mas é o interesse nacional que está em causa e vocês tem que perceber que preparar a selecção nacional é importante e, obviamente, se tenho os melhores que são convocados depende fundamentalmente do trabalho que é feito nos clubes , pelo que tenho que agradecer aos técnicos dos clubes que são eles trabalham todos dias com esses jogadores e nós só escolhemos os melhores”, referiu o seleccionador nacional.

 

Ainda que tenha os jogadores à sua disposição a partir de 5 de Julho para preparar uma partida agendada para 13 deste mês, Conde não deixou de referir que tem “muito pouco tempo para trabalhar na selecção nacional e em função disso temos que encurtar essa assimetria no défice de resultados que a selecção tem o que também passa por dotar os jogadores de conhecimento e valências, sobretudo de ponto de vista táctico, da ideia e do modelo de jogo que nós pretendemos adoptar nos Mambas”. (LANCEMZ)

 

“A paragem entra em choque com a nossa planificação” - Carlos Baúte, Treinador-adjunto Ferroviário de Maputo

 

“O Campeonato vai parar por 33 dias e essa paragem prejudica qualquer equipa que seja e que estiver nesta competição, entra em choque com aquilo que é a nossa programação para a época. Mas, vamos respeitar os compromissos da Federação Moçambicana de Futebol, a selecção nacional é a equipa de todos nós, só nos resta fazer um plano para mantermos o ritmo competitivo da nossa equipa enquanto o campeonato está parado e a melhor forma para tal é encontrar jogos de rodagem, porque é jogando que os jogadores ganham ritmo para a nossa performance possa melhorar. Vamos procurar fazer jogos de controlo nestes dias em que o Moçambola estiver parado”.

 

 

Há que melhorar a calendário do nosso futebol”- Antônio Wamba, treinador-adjunto da Associação Desportiva de Vilankulo

 

“A paragem do Moçambola será prejudicial mesmo para as equipas que têm maior número de jogadores na seleção, pois não é normal uma competição ser interrompida por mais de um mês. Penso que deveria haver uma outra forma de ver em relação ao calendário, há que melhorar esse aspecto. Com esses jogos da equipa de todos nós, antes disso a FMF assim como a Liga Moçambicana de Futebol sabendo que ao longo do campeonato teremos essas paragens, poderiam ver uma maneira da prova começar mais cedo, deveria se ajustar a nossa época  e calendarização do nosso futebol. O campeonato iniciou e parou na terceira jornada, tivemos um mês e vai parar novamente, isto não ajuda a nenhuma equipa".


Vamos aproveitar para integrar novos jogadores”- Inácio Soares, Treinador da Black Bulls

"Esta paragem para nós tem algumas vantagens, temos novos jogadores que precisam de se adaptar a nossa maneira de treinar e jogar, por isso, por esse lado é positivo. Vamos encontrar formas para capitalizar este interregno, que acaba não indo de encontro com o que havíamos planificado. Por outro lado, temos alguma frustração porque depois de uma vitória destas era importante dar sequência aos jogos e procurar já a segunda vitória consecutiva na próxima jornada se fosse na próxima semana, mas em todo caso, dar toda sorte e força a seleção nacional de Moçambique, que consiga bons resultados tanto no Cosafa bem como no CHAN".

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