A Federação Moçambicana de Futebol (FMF) e o treinador Francisco Queirós Conde, ou simplesmente Chiquinho Conde, ainda não têm data para firmar o novo compromisso, depois de as negociações para este “casamento” terem iniciado há quase um mês e de as duas partes já terem trocado propostas para a assinatura do contrato. Fontes ligadas ao processo, contactadas pelo LanceMZ, apontam o final do mês de Março ou o início de Abril como o período previsto para a assinatura do novo vínculo.
Por Alfredo Júnior
Depois de ter recebido a contraproposta do treinador, da qual consta a exigência de melhoria salarial, que deverá subir para a casa dos 25 mil dólares americanos, a FMF continua a encetar contactos com entidades superiores para perceber como ultrapassar este imbróglio, visto que a entidade máxima do futebol nacional reporta não reunir condições financeiras para fazer face a este encargo salarial superior ao por si proposto.
É sabido que os encargos salariais do seleccionador nacional, desde 2010, são suportados pela Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), no âmbito de uma intervenção efectuada na altura pelo Governo para assegurar o pagamento desta rubrica importante, quando os Mambas eram treinados pelo holandês Mart Nooij.
Dados avançados ao LanceMZ indicam que a HCB canaliza anualmente cerca de 400 mil dólares americanos (aproximadamente 26 milhões de meticais) para o financiamento do futebol moçambicano, com particular destaque para o pagamento do salário do seleccionador nacional, apoio financeiro ao departamento técnico e às selecções nacionais, entre outras rubricas.
Este financiamento é canalizado para o Fundo de Promoção Desportiva (FPD), que, por sua vez, faz chegar o montante à FMF.
VOOS CHARTER NAS DESLOCAÇÕES
A melhoria salarial para Chiquinho Conde e a sua equipa técnica não é o único ponto apresentado na contraproposta do treinador moçambicano que poderá ter um peso financeiro significativo no novo ciclo da selecção nacional.
Conde exige também a melhoria das condições logísticas dos Mambas, particularmente no que diz respeito às deslocações para compromissos fora do país, pretendendo que a selecção passe a viajar em voos charter, em vez das habituais viagens aéreas com longas escalas.
Esta proposta implica uma ginástica financeira difícil de concretizar, visto que o aluguer de transporte aéreo particular (voos charter) implica o dispêndio de somas avultadas, muitas vezes fora do alcance da Federação.
DURAÇÃO DO CONTRATO AINDA EM DISCUSSÃO
Para além das questões financeiras e salariais, outro tema que continua a marcar as negociações entre a FMF e Chiquinho Conde está relacionado com a duração do contrato, visto que as duas partes têm entendimentos diferentes quanto a este ponto.
A FMF insiste num contrato de um ano e por objectivos, com a qualificação para o CAN-2027 no topo das metas. Por seu turno, Conde defende que o contrato deve ser de dois anos, isto é, até ao Campeonato Africano das Nações de 2028.
Perante este cenário, as negociações entre as duas partes poderão arrastar-se por mais semanas, perspectivando-se que possam ser encerradas no final de Março ou mesmo no início de Abril, visto que a FMF já havia anunciado que não tem pressa em finalizar este dossier, dado que os Mambas não têm jogos oficiais previstos para o próximo mês. (LANCEMZ)









