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Akil Marcelino queixa-se de perseguição ao Ferroviário da Beira e não revela quem controla o Moçambola

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O treinador do Ferroviário da Beira, Akil Marcelino, queixou-se de a sua equipa estar a ser perseguida, sobretudo depois de ter considerado que os jogos do Moçambola estão a ser controlados por quem não quis revelar. O timoneiro dos “locomotivas” do Chiveve foi ainda crítico relativamente ao actual modelo de disputa do Campeonato Nacional de Futebol, referindo que este não observa os princípios básicos de uma competição do género, situação que acaba por afectar os treinadores — que são sempre os sacrificados em caso de insucesso das equipas.

Por Alfredo Júnior e Sérgio Sitóe (Fotografias)

Depois de, há dias, o treinador Akil Marcelino ter dito que os jogos do Moçambola têm estado a ser controlados, desta vez o técnico do Ferroviário da Beira referiu que os “locomotivas” do Chiveve têm estado a ser perseguidos na competição. Mesmo após a vitória sobre o Costa do Sol por duas bolas a uma ao apagar das luzes, Marcelino mostrou-se insatisfeito com os acontecimentos em redor da sua equipa.

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“Nós só temos, agora, de tentar trabalhar; mesmo com as adversidades, com a perseguição que está a haver, vamos tentar trabalhar. Nos últimos quatro jogos sofremos três penáltis, não é normal. Isso é perseguição. Penso que todo o mundo esteve aqui no campo e viu como é que foi o jogo, como é que foi administrado o jogo. Eu acho que não sou o único maluco que está aqui a falar de situações que todo o mundo está a ver. Eu também vou deixar de falar dessas coisas, a partir de hoje já não falo mais. Acabou para mim, acabou, porque falar é perder o meu tempo e as coisas ainda pioram”, disse Marcelino.

Quando confrontado com as suas próprias palavras sobre o controlo que os jogos do Moçambola estão a ter, Akil Marcelino disse não saber quem está a desvirtuar a verdade desportiva no campeonato nacional de futebol, referindo que as suas palavras não visaram os árbitros e que não percebeu a resposta dada por Francisco Machel a este assunto.

“Não sei, eu não sei por que razão é que ele respondeu. Porque eu nunca apontei nomes, nunca apontei clubes nem dirigentes, nunca foi do meu feitio e nunca o hei-de fazer. Eu não sei. Isso fica aqui no segredo dos deuses, porque já estamos a ser muito prejudicados. Vamos tentar trabalhar com a nossa humildade, com a nossa honestidade, e não vou falar mais porque está a ser muito pesado. Falei muito e hoje, mais uma vez, fomos prejudicados; portanto, não vale a pena”, disse o treinador.

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Apesar de, com esta vitória, o Ferroviário da Beira se isolar na segunda posição da tabela classificativa com 31 pontos (menos quatro do que o líder Black Bulls), Marcelino afirma que a sua equipa não é candidata ao título.

“Não, eu penso que nós… como já disse, somos um grande clube, não resta dúvida, o Ferroviário é um grande clube. Mas digo e repito mais uma vez: não somos mais candidatos do que os outros; os outros são mais candidatos do que nós. Têm muito mais recursos, muito mais condições, sem falar dos próprios plantéis. Os meus jogadores sabem daquilo de que falo, com todo o respeito que tenho por eles. Portanto, nós só vamos fazer jogo a jogo. Nós não somos candidatos a este campeonato; não somos, são os outros”, disse o nosso interlocutor.

O treinador mostrou-se descontente com o actual modelo de disputa do Moçambola, com jornadas duplas que não dão tempo para a devida preparação das equipas.

“Eu penso que falha tudo, desde logo aquilo que é o nosso próprio campeonato. O nosso campeonato, acho que é um campeonato que está a pôr as equipas num sentido muito desgastante. Como está, é muito desgastante. Nós viemos de Tete na segunda-feira, tivemos de viajar na quinta-feira para vir jogar no domingo; agora vamos jogar na quinta-feira, vamos jogar no domingo o jogo da Taça de Moçambique, vamos jogar provavelmente no meio da semana a outra jornada e no outro fim de semana outra jornada. Portanto, o calendário, como está, é muito apertado para nós. Sim, queria-se fazer um campeonato com duplas jornadas para ver se conseguíamos diminuir os custos, mas não era suposto fazermos desta maneira, duas jornadas por semana. Eu acho que está muito apertado e tem a ver com o tempo que se perdeu”, criticou Akil.

Akil Marcelino considerou o actual cenário do Moçambola frustrante para os treinadores que se sentam na escola, estudam futebol, estudam planificação e depois são obrigados a submeter-se a este tipo de campeonato com jornadas duplas consecutivas.

“Exactamente. Nós trabalhamos durante a semana com toda a honestidade, com pressão dos clubes, com pressão das direcções, com pressão dos sócios para produzir resultados. E quando chegamos ao fim de semana, aparecem terceiros a tentar prejudicar-nos. É muito complicado, muito complicado. E a nossa profissão é muito ingrata. Depois, quando não há resultados, o culpado é sempre o treinador. Não querem saber se nós temos o suporte necessário para poder produzir resultados ou não. Os sócios só querem resultados, não sabem nada da vida do clube. Portanto, é uma série de questões, uma série de factores que têm a ver com a nossa profissão. E nós, como disse e bem, estudamos, estudamos muito, e aparecem ali pessoas que nem sequer, às vezes, passaram por este processo, a prejudicar o trabalho feito durante meses, dias, semanas, anos. Eu vou dizer-te: temos de ser sérios naquilo que estamos a fazer. Mas eu não digo isto só para um sector, estou a falar do futebol em geral. Da parte dos clubes, das entidades que gerem o nosso futebol, temos de ser todos sérios. Se formos sérios, temos tudo para ter um campeonato tranquilo e ter mais qualidade, mais competitividade, acima de tudo. Nós só temos de ser mais organizados e mais sérios”, desabafou Akil Marcelino.

O treinador segue na sua segunda época à frente dos destinos do Ferroviário da Beira, que procura alcançar mais um título após o último conquistado em 2023, sob a batuta de Hélder Duarte. (LANCEMZ)

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