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Torres gémeas Clarisse e Leia passam experiência a estudantes da UP Maputo

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A Universidade Pedagógica de Maputo promoveu um evento denominado Basquetebol em Conversa, no qual Clarisse Machanguana, a única moçambicana a jogar na Liga Norte Americana Feminina - WNBA, e Leia “Tanucha” Dongue, que este ano transferiu-se da Liga Profissional Espanhola para igual campeonato em França, foram as principais oradoras, na companhia de Jorge Ferrão, Reitor da instituição, que foi o promotor da iniciativa.


Ao longo de cerca de duas horas as duas renomadas jogadoras moçambicanas transmitiram a sua experiência aos estudantes de várias faculdades desta que é a segunda maior universidade pública do país. A maioria dos estudantes presentes estavam ávidos em querer ouvir como Clarisse Machanguana e Leia Dongue chegaram a tão alto estatuto no basquetebol profissional Internacional.

 

Justificando a realização deste evento, o Reitor da Universidade Pedagogica de Maputo, Jorge Ferrão, revelou estar relacionado com o facto de 59% dos estudantes na Universidade Pedagógica em Maputo são mulheres, com a excepção da Faculdade de Educação Física e Desportos é que tem mais homens, pelo que está oportunidade de trazer as nossas referências no desporto para motivar as raparigas para seguirem uma carreira no desporto.

 

Clarisse Machanguana que jogou basquetebol dos 6 aos 40 anos iniciou a sua carreira no Costa do Sol, depois teve passagens pelo Maxaquene e iniciou a sua carreira no estrangeiro no Santarém em Portugal disse que o trabalho individual e a dedicação foi fundamental para o seu crescimento como jogadora, sendo que ultrapassou vários desafios o que permitiu abraçar e aproveitar as oportunidades que lhe foram abertas.

 

DEIXAR DE APONTAR O ERRADO E FAZER PARTE DA SOLUÇÃO

 

Falando da prática da modalidade no país, Machanguana é de opinião que os fazedores da modalidade não centram-se na crítica e no apontar no que está mal, devendo fazer parte da solução para o bem do basquetebol.


“As vezes é muito fácil apontar os dedos às pessoas, mas nós temos que fazer parte da solução, pelo que temos que apresentar soluções porque os problemas todos já conhecemos. Eu candidatei-me à Presidência da Federação Moçambicana de Basquetebol, visto que queria ser parte da solução e não fui eleita, mas continuou com a minha actividade para encontrar soluções através da Fundação com objectivo de empoderar os jovens a encontrarem soluções para os problemas”, disse Machanguana.

Leia Dongue que começou a praticar a bola-ao-cesto na escola e depois teve a sua formação no Desportivo Maputo, contando com passagens por Angola, Espanha e França, revelou que jogar na WNBA não é um sonho na sua carreira, mas não fecha as portas a uma possibilidade de jogar ao mais alto nível, tendo em conta que não sabe quando é que uma oportunidade se pode abrir.

 

TRANSFORMAR DIFICULDADES EM OPORTUNIDADES

 

Dongue referiu que teve que enfrentar muitos desafios, tendo mencionado o acesso ao transporte para que pudesses deslocar-se aos treinos no Desportivo Maputo e também conciliar com as actividades acadêmicas, como alguns deles. “Agradeço por ter feito parte do Grupo Desportivo Maputo que desde que me conheço teve sempre dificuldades financeiras, nas sempre produziu os melhores atletas do país como o meu caso, Mexer, Domingues entre outros e essas dificuldades ajudaram a enfrentar os desafios que tive pela frente para ter uma carreira de sucesso no estrangeiro”, disse Leia Domingo.


Uma das questões colocadas pela plateia que esteve no evento foi relacionada ao actual estágio do basquetebol nacional e as duas atletas sem papas na língua referiram que algo não vai bem, apontando a união para que a modalidade chegue a bons resultados.

 

“Quando existe uma pessoa eleita tens que encontrar uma forma de colaborar sem dar impressão de que não acreditamos que esteja à frente do processo. Nós que jogamos a mais alto nível temos que encontrar uma forma de dar o nosso contributo em jeito de “pay-back”, porque recebemos muito conhecimento e temos de dar de volta à modalidade. Os mais recentes resultados da selecção mostram que a modalidade não está bem, há erros que são cometidos, mas se estivermos unidos podemos levar a modalidade a bom porto”, disse Clarisse Machanguana.

 

“Há muitas coisas no nosso basquetebol que não estão boas, veja a última selecção nacional que foi ao Afrobasket 2021 que só teve pouco tempo de preparação, nas teve uma boa classificação. Se formos organizados poderemos chegar a bons resultados e temos que nos unirmos para melhorar a preparação para termos uma melhor classificação. Há muita coisa que não está bem, mas temos muito talento e podemos chegar longe na modalidade”, disse Leia Dongue.

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