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MUNDIAL 2022: OS 5 MAGNÍFICOS?

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É conversa recorrente: África orgulha-se de, pela primeira vez, levar ao Mundial cinco técnicos africanos no comando das suas respetivas seleções.

MAGNÍFICO, porque inédito e por nada mais do que isso!

Parece que, finalmente, os dirigentes federativos africanos resolveram apostar na prata da casa (talvez porque falta “prata” para contratar os europeus que são mais caros), pressupondo-se, de qualquer modo, que qualquer dos treinadores que estará à frente de Camarões, Gana, Marrocos, Senegal e Tunísia reúne os necessários requisitos para liderar o processo competitivo das suas equipas. É a valorização do treinador africano!

Mas quantidade não é só por si um sinónimo de qualidade e mais do que exibir cinco selecionadores locais na Copa do mundo do Catar, África precisa de provar, através das cinco seleções, que o futebol continental evoluíu, que o talento que sempre abundou e em muitos casos é desviado para seleções europeias, está em altura de responder ao desafio de DIGNIFICAR o continente, em campo, com exibições de nível elevado.

Que se esforcem igualmente os nossos dirigentes para se e nos dignificarem.
Já nos envergonhamos que baste com as (más) notícias sobre pagamentos de prémios aos atletas em atraso, condições de trabalho abaixo do nível exigido, gestão amadora e, essencialmente, por estas alturas de torneios como o Mundial, de dirigentes que submetem atletas e equipas técnicas a regimes de cinto apertado, mas em contrapartida exibem-se nos mais glamorosos locais de atração dos países-sede das Copas do mundo, gastando o que têm e esbanjando o que não têm...

Que esta, a do Catar, seja mais do que uma Copa do mundo para exibir cinco selecionadores africanos – que sirva para os nossos representantes se apresentarem a um nível que autentique a reivindicação de mais lugares para África em Mundiais, provando-se que as seleções africanas evoluíram e merecem ser tidas como sérias, livres de quaisquer conotações com aqueles títulos fictícios conquistados nos Mundiais SUB-17 e SUB-20 à base da falsificação das idades dos atletas.

Que Rigobert Song (CAM), Otto Addo (GAN), Walid Regragui (MAR), Aliou Cissé (SEN) e Jalel Kadri (TUN) não sejam confundidos com meras atrações circences, mas antes respeitados pelas evidências do trabalho competente que terão feito com as suas equipas para que, de um modo geral, todas as cinco seleções africanas se imponham e cheguem longe na Copa do Catar.

Henrique Aly

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