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Árbitros de elite no Moçambola é o caminho para profissionalização e ganhar dinheiro de forma honesta

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A Comissão Nacional de Árbitros de Futebol (CNAF) divulgou a lista dos 50 árbitros que vão dirigir os jogos do Moçambola 2024. A escolha destes árbitros é resultado dos testes realizados em todo país, no mês de Março, onde foram avaliados um total de 141 árbitros entre de centro e auxiliares, dos quais 51 reprovaram nos testes. O Presidente da CNAF, Francisco Machel, considerou esta escolha refinada dos juízes que vão dirigir os jogos do maior campeonato de futebol do país como o início do caminho para a profissionalização dos árbitros de futebol, de modo a que esta classe importante possa ganhar dinheiro da sua actividade de forma honesta.

 

Por Alfredo Júnior

 

O anúncio da lista dos árbitros de elite foi aguardada com muito interesse por parte dos amantes do futebol moçambicana que foram acompanhando os testes a que centenas de homens do apito e da bandeirola foram submetidos, com alguns nomes sonantes a não passarem nas avaliações. Depois do trabalho conduzido por instrutores de arbitragem da FIFA e moçambicano, a CNAF apresentou o resultado do seu trabalho que ditou a criação de 56 vagas distribuídas pelas 11 províncias, com a cidade de Maputo a ser a que conta com maior número de juízes, sendo sete de centro e cinco auxiliares, seguida da província de Maputo com um total de três árbitros de centro e cinco auxiliares.

 

A província da Zambézia não conseguiu aprovar nenhum dos dois árbitros que lhe cabia na cota provincial tendo apenas dois auxiliares, enquanto que a província de Tete tem apenas um árbitro aprovado dos dois lugares por preencher e nenhum árbitro auxiliar foi aprovado para ocupar os dois lugares destinados a esta província.

 

Francisco Machel, Presidente da CNAF, disse que esta selecção tem vista a profissionalização dos árbitros, um caminho que considera de irreversível tendo em conta os objectivos da classe em contribuir melhor para o desenvolvimento do futebol nacional.

 

“Especialistas em arbitragem da FIFA e da CAF referiram que o ideal em termos de número de árbitros para o nosso campeonato seria de 40 no máximo, mas nós temos 56. Estamos a dizer que o nosso país é extenso, tem suas particularidades e temos que respeitarmos essa situação. Se nós estamos a dizer que queremos árbitros de qualidade, queremos árbitros profissionais, ou sej de qualidade, para nós isso não significa ganhar dinheiro logo à partida. No nosso contexto, o conceito profissional não significa ganhar dinheiro, significa ter árbitros de qualidade e trabalharemos para que no futuro possamos ganhar dinheiro de uma forma honesta”, explicou Francisco Machel.

 

CRITÉRIOS DE SELECÇÃO DOS ÁRBITROS DE ELITE

 

Para além dos testes realizados em todo o país, a CNAF implementou alguns critérios para a selecção dos árbitros que passam a dirigir os jogos do Moçambola. Ao todo são cinco critérios, a saber: Estar devidamente filiado na Comissão Provincial de Árbitros de Futebol; üPertencer ao Quadro Nacional de Árbitros da Federação Moçambicanade Futebol; Ter sido aprovado nos testes de aptidão física; Ter sido proposto pela respectiva Comissão Provincial de Árbitros de Futebol; Ter conduta aceitável no exercício da função de árbitro; e Ter o processo individual constituído de acordo com o Comunicado Oficial no 05/FMF/D/2024.

Porém, do grupo de árbitros colocados na lista para o Moçambola, destaca-se a presença da auxiliar da província de Maputo, Olinda Augusto, que reprovou nos testes de aptidão física realizados no Parque dos Continuadores. Machel explicou que a inclusão desta árbitra deve-se ao facto de ser de categoria internacional, sendo que a mesma não será nomeada enquanto não for submetida a novos testes de aptidão física.

“Em relação a árbitra auxiliar Olinda Augusto referir que ela está selecionada pelo fato de ser árbitra FIFA. Tem esse privilégio e da mesma forma na seleção que fizemos todos os árbitros FIFA são os primeiros a ocupar as vagas. Significa que ela está selecionada, os instrutores FIFA já mandaram os resultados dela para a FIFA e que indicam que ela falhou o teste, mas o lugar dela está lá assegurado. Significa que esta árbitra FIFA  e daqui a seis semanas, se estiver em condições, será submetida a novos testes. Significa que, enquanto não for avaliada, ela não vai ser nomeada para os jogos do Moçambola. Porém, o lugar dela está lá assegurado, mas não vamos nomeá-la para os jogos do Moçambola até ser submetida a novos testes”, assegurou Machel.

 

INTRODUZIDA FIGURA DE ASSESSOR DOS ÁRBITROS

 

Entretanto, para a época 2024 a CNAF introduziu uma nova figura que vai acompanhar o desempenho técnico dos árbitros que vão dirigir os jogos do Moçambola. Trata-se da figura de Assessor dos Árbitros, cargo que será desempenhado por antigos árbitros e pelos presidentes das Comissões Provinciais de Futebol, totalizando 24 elementos.

 

Questionado se a indicação destas figuras não criara a situação de conflito de interesses na hora de avaliação do desempenho dos árbitros, Machel referiu que não haverá choques, tendo em conta que o trabalho dos assessores estará focado em critérios claros.

 

“Queremos trazer maior qualidade para a arbitragem, queremos envolver mais especialistas no acompanhamento do trabalho dos árbitros, teremos envolvimento dos instrutores técnicos e físicos que estarão sempre nos campos e vão nos trazer aqui os subsídios para a melhoria dos trabalhos dos árbitros. Os assessores vão analisar o desempenho de cada um e em termos de deliberação de situações disciplinares, penso que não haverá choque porque nós sabemos o que pretendemos. A avaliação vai ser aquela que nós pretendemos e o mais isenta possível”, explicou Machel.

 

Por outro lado, o Presidente da CNAF assegurou que os delegados técnicos e assessores vão implementar instrumentos de avaliação dos árbitros que foram melhorados, sendo que a CNAF promete divulgar abertamente os castigos a que forem submetidos os árbitros que tiverem maus desempenho nos Jogos do Moçambola 2024.

 

“Se nós vamos avaliar o desempenho dos árbitros, temos que ver quais são os árbitros com maior e bom desempenho e quais são aqueles que são fracos. E, de fato, esses fracos, em caso de sanções, iremos aplicar as medidas de acordo com o nosso regulamento. E o nosso regulamento prevê que as punições devem ser publicitadas. E nós vamos publicitar isso. Vamos publicitar também aqueles árbitros que fazem um bom trabalho. Nós não estamos a esperar apenas de coisas negativas”, disse o Presidente da CNAF. (LANCEMZ)

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